
Créditos da imagem: Site da CBF
Desde que surgiu como candidato a craque no Santos (à época, em 2010, havia quem o considerasse melhor do que Neymar), Ganso talvez seja o jogador que mais suscite debates na imprensa e torcida brasileiras.
Afinal, que rótulo faria jus ao futebol praticado pelo “neoclássico” camisa 10, hoje no São Paulo?
Minha opinião:
– Ganso ainda pode sim atuar em alto nível (aliás, ele tem sido, em 2016, o melhor jogador do Tricolor), desfilar a sua inegável qualidade e ainda ser combativo e competitivo (ele costuma ser um dos líderes de desarmes de sua equipe e é, injustamente, como bem observou Mauro Cezar Pereira no blog da ESPN, rejeitado e tachado como “pouco participativo”);
– O meia possui categoria e qualidade para fazer fluir um estilo de jogo rápido e moderno, embora ele próprio não seja fisicamente um jogador veloz;
– Justiça seja feita, além do corrente ano, Ganso atuou bem em 2010, o seu ápice; na conquista da Libertadores de 2011, pelo Santos; e em 2014, quando, já pelo São Paulo, foi um dos melhores meias do Brasileirão, atuando ao lado de Kaká. Logo, verifica-se que a memória seletiva é capaz de cometer injustiças, vez que o meia não atuou bem somente em 2010, como muitos dizem por aí;
– Apesar dos seis gols na atual temporada, ouso discordar de Muricy Ramalho, para quem Ganso deveria jogar mais avançado, mais próximo da área adversária e tentar fazer mais gols. Claro que todo jogador deve buscar o aperfeiçoamento e tentar melhorar os seus pontos fracos, mas não a qualquer custo, sob pena de colocar em risco o que tem de melhor. Ganso rende mais na faixa central do meio de campo, sendo organizador de equipe e lançador. Essa função de quarto homem mais agudo e goleador simplesmente não é a praia dele. Insistir com esse argumento apenas contribuirá para minar a sua confiança e desgastar a sua imagem. E não estou sozinho nesse pensamento…;
– …Dorival Júnior, que o queria de volta no Santos (há quem diga que se o Peixe tivesse garantido a vaga na Copa Libertadores, isso teria ocorrido), sinalizou, em entrevista concedida no fim do ano passado, que utilizaria Ganso mais recuado, dando qualidade à saída de jogo da equipe. Em eventual parceria com Lucas Lima, sobraria qualidade e, antes que digam, não faltaria dinamismo. Quem sabe na Seleção Brasileira…;
– Aliás, penso que atuar ao lado de Lucas Lima, o segundo melhor jogador brasileiro da atualidade (Neymar, claro, é o primeiro), resolveria outra questão para Ganso. Explico: acredito que o são-paulino sente o peso de ser “o” craque do time, vez que, atuando ao lado de Neymar e Kaká, em diferentes momentos de sua carreira, brilhou e foi decisivo. Sem falar que sair do São Paulo lhe faria muito bem, já que o clube – quem diria – atravessa uma fase de caos administrativo;
– Ganso é um ótimo coadjuvante, com grande capacidade de dar dinâmica de jogo a equipes já acertadas e com padrão de jogo definido, mais ou menos como era o pentacampeão mundial pela seleção Ricardinho, ex-jogador de Corinthians, São Paulo e Santos e hoje treinador de futebol da Portuguesa;
– Ser coadjuvante de craques maiores, como são Iniesta, Di María, Toni Kroos e tantos outros (cada um em sua posição e com o seu nível de participação e importância dentro de suas equipes) não é demérito. Dá para ser craque sem ser “o” craque. Querem um exemplo didático? Em 94, Bebeto foi craque, mas “o” craque foi Romário;
– Que Ganso seja encarado com menos rancor por não ter se confirmado como o “Zidane brasileiro” e consiga sair desse “limbo”, para, quem sabe, poder deslanchar de vez e obter todo o retorno – técnico e financeiro – que o seu talento sugere;
– Se conseguir manter o nível de atuação que vem apresentando até aqui na atual temporada, entendo ser justo Ganso sonhar em estar na Copa da Rússia (como admitiu que o faz, em entrevista imperdível concedida ao NO ÂNGULO, quando tive a oportunidade de conversar sobre diversos temas com o jogador), pois estamos carentes de meias/volantes organizadores de jogo, ainda mais se considerarmos aqueles poucos que recentemente perdemos para o futebol chinês. E que não me venham falar de Oscar, inexplicavelmente um “xodó da nação”;
– Tomara que Ganso encontre uma mão estendida e não apenas cornetas em seu caminho.
E segue o jogo.