
Créditos da imagem: Igor Amorim / saopaulofc.net
Até a entrada em vigor da Lei 5.107, em janeiro de 1967, instituindo o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, o FGTS, valia no Brasil a Lei Trabalhista, assinada por Getúlio Vargas ainda em 1941. Por ela, o empregador podia demitir a seu bel prazer qualquer funcionário até que completasse dez anos de trabalho, quando passaria a ser estável. Isto é, não poderia mais ser demitido etc.
Para burlar a Lei, os patrões passaram a demitir quando o empregado estava prestes a completar os 10 anos de casa. Mas logo a Justiça, em recursos, passou a considerar que demissões feitas até seis meses antes dos dez anos, visavam evitar a estabilidade, dando ganho de causa ao empregado.
Com o FGTS acabou estabilidade e a burla. O empregado demitido sem justa causa recebe seus direitos, multa. E até, em muitos casos, o que chamam de “love letter“. Com as partes cumprindo direitinho suas obrigações, não há do que reclamar.
Assim devem ser vistos também os contratos entre clubes e técnicos. Havendo multa estabelecida e sendo ela paga, em caso de rescisão antes do tempo combinado, não há o que criticar. Muitos contratos são assinados sem constar multa, mas que os pagamentos dos salários serão feitos até o último dia. Com naturais e permitidas variantes. Nem é preciso lembrar que, no caso, o técnico também pode “se mandar” antes do prazo fatal, desde que cumpra o assinado, sem merecer críticas.
Por falar em críticas, ninguém está proibido – dentro dos limites legais – de expor suas opiniões. Só não deve reclamar se receber algumas, ou muitas, de volta. Direitos iguais. Sou até a favor de que os árbitros fossem liberados para dar entrevistas após os jogos. Seria interessante e justo vê-los criticando técnicos quanto à armação de seus times – quando, antes, por eles criticados. E a jogadores, quando estes tentarem jogar em suas costas os erros cometidos em campo.
E jornalistas, podem dar palpites – para ficar apenas no caso dos técnicos – sobre a contratação de um e outro? Pode. O que não pode é reclamar se a crítica virar bumerangue. Quem nunca viu ex-jogador que vira comentarista, criticar jornalistas, dizendo que não sabem nada, porque nunca calçaram chuteiras? E quem nunca percebeu que muitos deles não “enxergam” o que está acontecendo no campo? Alguns parecem “enxergar”, mas não sabem expor. Verdade ou mentira?
Particularmente, acho que observações – para criticar ou elogiar – devem ser feitas após o trabalho realizado. Antes, soam como meros palpites, que podem ou não ser consolidados. Achar que Rogério Ceni poderá mostrar-se bom técnico só porque foi grande goleiro, não passa de achismo. Assim como dizer que vai fracassar porque devia começar treinando a base. Nem vou falar de torcerem contra, só porque ele é “mascarado”, defendeu o time adversário etc. Bobagens.
Tenho visto grandes jogadores que não deram bons técnicos. Jogadores medianos que viraram bons professores. E quem “nunca calçou chuteiras” – dá para falar de Feola, Parreira e Coutinho…