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No Ângulo | Futebol é preciso

Qual o lugar de Cristiano Ronaldo na história?

04/10/2015

Créditos da imagem: Portal Terra

Na última semana o astro português, de uma vez só, tornou-se o maior artilheiro da história do Real Madrid e ultrapassou a marca de 500 gols na carreira.

Ao contrário do que acontece com seu rival Lionel Messi, não vejo discutirem muito qual é o lugar de Cristiano (sempre me pareceu um erro chamá-lo de “Ronaldo”) na história do futebol. Enquanto o primeiro é constantemente comparado a Maradona e até a Pelé (injustificadamente, a meu ver), o segundo é comparado somente ao seu contemporâneo argentino.

Objetivamente falando, o português é um monstro. Ídolo histórico de dois dos maiores clubes do mundo – Manchester United e Real Madrid -, duas vezes campeão mundial de clubes, duas vezes campeão da Champions, diversos títulos nacionais, três prêmios de melhor do mundo pela FIFA, maior artilheiro da história da Liga dos Campeões da UEFA, e dono de marcas assombrosas como a bizarra média acima de um gol por jogo pela equipe merengue em mais de 300 partidas. É inquestionável!

Mas no campo subjetivo, bem… eu, por exemplo, não consigo ser fã de seu futebol nesse nível dos grandes da história. Acho que faz poucas partidas convincentes pela Seleção Portuguesa, não foi destaque nas finais de Champions que disputou, tampouco foi bem em alguma Copa do Mundo. Quando o vejo jogar, fico admirado com o quanto parece uma máquina completa, capaz de executar tudo com perfeição, mas com um futebol que ou resulta em gols, ou não tem maiores consequências. Ele é um exemplo perfeito da excelência técnica, mas que não me parece capaz de jogadas geniais e surpreendentes. Não vejo seu jogo sendo fundamental para a produtividade de suas equipes, ou ajudando a elevar o nível dos companheiros (como faz Messi, por exemplo). É como se Cristiano Ronaldo fosse um elemento à parte do time, que pode fazer este marcar muito mais gols, simplesmente.

Uma das maiores lições dadas pelo gajo, para mim, foi durante um claro domínio de Messi (que contava com o Barcelona em estado de graça) como o melhor do mundo por quatro anos seguidos, de 2009 a 2012, quando boa parte da opinião pública via Cristiano Ronaldo como “invejoso” ou “egocêntrico que não sabe reconhecer derrota” por ele não admitir que o argentino era superior a ele. Graças à crença em si mesmo e à obstinação por evoluir como atleta, o luso foi capaz de retomar o título de “melhor do mundo” e reeditar a disputa com Messi, quando quase todos já a davam por encerrada e vencida por “La Pulga”.

Cobrar que àquela altura Cristiano Ronaldo decretasse que Messi era melhor, é desconsiderar que no esporte (e em muitos campos da vida) também somos o que pensamos ser, e estabelecer isso é como criar um limite para si mesmo.

Cristiano Ronaldo já superou Eusébio (mesmo sem um desempenho em Copas como o do Pantera Negra em 66), e ainda que dentro de campo não seja, creio que para a história já é maior do que monstros como Zico, Platini e Romário. Mas ainda que tenha feitos individuais inegavelmente maiores, não o vejo acima de gênios como Zidane e Ronaldo, por exemplo.