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Por que Messi não é o Pelé da minha geração

Créditos da imagem: PrensaFutbol

Merecidamente, Messi foi eleito o melhor jogador do mundo em 2015, e ampliou a sua vantagem como o jogador que mais vezes recebeu a “Bola de Ouro”, chegando à quinta conquista. Foi o que bastou para que muita gente voltasse à carga com os justos reconhecimentos a um dos maiores jogadores da história, e exageros típicos do que identifico como uma espécie de “síndrome da ansiedade por testemunhar uma grandeza inédita”.

Para que fique claro o quanto eu valorizo o argentino, acho que ele é mesmo quem mais se aproximou de Pelé por tudo o que fez na carreira. Entendo que quase chegou até a ter “temporadas de Pelé”, ao contrário de Maradona, que sempre me pareceu uma comparação simplesmente inaceitável. Mas, ao mesmo tempo, não vejo um único argumento favorável a Messi para que pudesse ser criada uma disputa com o Rei pelo posto de maior da história.

Não o acho nem mesmo “o Pelé da minha geração”, como muita gente disse esses tempos, entre eles o colega Caio Bellandi. O termo “Pelé” sempre foi usado para definir aquele que está absolutamente acima dos demais. E não vejo isso ocorrendo com um jogador que nunca foi capaz de vencer qualquer competição principal vestindo a camisa de uma das maiores seleções do mundo, a argentina, e que vive em uma disputa (ainda que eu o considere claramente superior) com Cristiano Ronaldo.

Recentemente o ex-zagueiro e comentarista do SporTV, Ricardo Rocha, disse que a história de Messi é totalmente ligada à do Barcelona, e eu assino embaixo disso. O argentino começou a aparecer em uma equipe que simplesmente venceu a Champions League 2005/2006. Depois foi o protagonista daquele que eu imagino que tenha sido o melhor time da história, o Barcelona de Guardiola. Mas basta pensar que essa equipe era tão fabulosa, que formou a base da Espanha que ganhou praticamente tudo no período 2008-2012, e que era sem nenhuma sombra de dúvida a grande seleção mundial até a derrota na Copa das Confederações 2013. Tudo isso sem o genial argentino.

Os últimos grandes colossos da história foram Ronaldo e Zidane. Nenhum dos dois teve os números ou a regularidade de Messi, tampouco parecia uma máquina perfeita, um “jogador de video-game” como La Pulga. Mas ambos souberam vencer em outros campos, passaram por diferentes países e levaram suas seleções aos lugares mais altos que puderam. Fizeram partidas antológicas com diferentes camisas e nunca deixaram dúvidas sobre serem protagonistas e vencedores por onde passavam. Eu sinceramente preferiria contar com um deles do que com o argentino em uma final de Copa do Mundo, por exemplo, que é simplesmente a maior partida que pode existir.

Não estou desmerecendo Messi, é muito difícil alguém reinar absoluto em algum esporte, mesmo que por curtos períodos. Até gente do calibre de um Roger Federer –  apontado constantemente como o maior tenista da história – sofre com a concorrência de um Rafael Nadal. No futebol é ainda pior, por se misturar muito com as conquistas coletivas. E mesmo após Messi retomar a Bola de Ouro depois de dois anos de domínio de seu rival português, muita gente já perguntava “Quem é o favorito para 2016, Messi, CR7 ou Neymar?”.

Por essas e outras não devemos vulgarizar certas coisas. Michael Jordan é “o Pelé do basquete”; Messi não é “o Pelé desta geração”.

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