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No Ângulo | Futebol é preciso

Pela profissionalização do futebol feminino

10/04/2016

Créditos da imagem: tudotv.tv

No começo do mês de março deste ano, foi divulgada uma boa notícia para o futebol, com o América tornando-se o primeiro clube a ter um time de futebol feminino profissional no Estado de Minas Gerais.
A profissionalização das jogadoras faz parte de um compromisso assumido pelo clube com a adesão ao programa do Governo Federal para o refinanciamento de dívidas, o Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro – PROFUT.
Para aderir a este programa, o clube precisaria investir no futebol feminino.
Aprovado em julho de 2015 pelo Congresso Nacional e sancionado no fim de agosto, o Programa permite o parcelamento de dívidas tributárias e não tributárias de dívidas de clubes de futebol com a União em até 240 meses (20 anos).
Em troca, as entidades esportivas precisam adotar critérios de transparência, de equilíbrio financeiro e de melhoria de gestão, como fixar mandato de quatro anos para os cargos eletivos de direção e publicação na internet de prestação de contas com auditoria independente.
O Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro teve a adesão de 111 entidades esportivas (até novembro de 2015), conforme informou a Receita Federal.
Também de acordo com a Receita Federal, as entidades que aderiram ao programa têm dívidas estimadas em R$ 3,83 bilhões com o Fisco e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. No entanto, não necessariamente o total desses débitos será renegociado. Para permanecer no programa, o clube precisa ficar em dia com as obrigações fiscais e trabalhistas. Caso algum clube deixe de pagar três parcelas, será excluído do parcelamento e não poderá ter acesso a benefícios de incentivo fiscal da União.

Em 17/02/16, o plenário  da Câmara dos Deputados aprovou a Medida Provisória 695/15, que reabriu o prazo para clubes de futebol aderirem ao parcelamento de dívidas previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte (Lei 13.155/15). O prazo acabou em 30 de novembro de 2015. Agora, a matéria precisa ser votada pelo Senado.

De acordo com o relator, deputado Beto Faro (PT-PA), muitos clubes não conseguiram atender às exigências constantes na lei. O novo prazo para os times de futebol pedirem o parcelamento de suas dívidas nos moldes definidos pelo PROFUT será 31 de julho de 2016.

Custos 

“Espero que com a profissionalização do América, outro clubes também sigam o mesmo caminho”, afirmou a coordenadora de futebol feminino do América, Bárbara Fonseca (em entrevista para a ESPN). Os valores para manter um time feminino estão longe do que estamos acostumados a ver no futebol masculino dos grandes clubes: O custo para manter uma equipe feminina gira em torno de R$ 40 a R$ 50 mil (no caso do América).

O grupo feminino do América é formado por um elenco de 29 atletas e sete integrantes da comissão técnica. As atletas terão carteira assinada e contrato registrado na Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Confira abaixo a entrevista concedida pela gestora do clube mineiro:

Lena Annes – Em primeiro lugar, eu gostaria que tu falasse um pouco da tua experiência e formação e de como surgiu o convite para dirigir o time de futebol feminino do América.

Bárbara Fonseca– Hoje com 30 anos, iniciei minha trajetória como atleta aos 12 e aos 28 anos, finalizei na equipe do Santa Cruz Futebol Clube. Na oportunidade, o Presidente do Clube pediu que eu ajudasse na gestão da equipe feminina. Aceito o convite, iniciei a atividade enquanto Diretora e, em 6 meses, disputamos a Copa do Brasil, competição até então não disputada por esse Clube. Ao finalizar a Copa do Brasil daquele ano, o Presidente do América Futebol Clube, Alencar da Silveira Júnior, me convidou para montar uma equipe feminina naquele Clube, assim em junho de 2015, a equipe foi apresentada para a imprensa.

Lena Annes – A professora e pesquisadora Silvana Goellner, coordenadora do Centro de Memória do Esporte da Escola de Educação Física da Ufrgs, afirmou que: “o que as mulheres conquistam em termos esportivos é majoritariamente em  função de sua persistência, paixão, determinação e resiliência”.  Você concorda? Por quê?

Bárbara Fonseca – Concordo plenamente com o posicionamento da  professora, uma vez que a modalidade ainda enfrenta diversos obstáculos, no que se refere a infraestrutura/investimento e a quebra de paradigmas norteados pelo preconceito existente à prática de futebol por mulheres.

Lena Annes – Como surgiu o convite para dirigir o time e qual a situação no momento?

Bárbara Fonseca – No início desse ano,  a diretoria do América resolveu profissionalizar a equipe, tornando-se a primeira do Estado de Minas a ter futebol feminino profissional.

Lena Annes – Qual o principal  desafio para uma profissional dirigir um time de futebol no Brasil?

Bárbara Fonseca – O maior desafio ainda está ligado ao baixo investimento, porém estão ocorrendo alterações desse cenário. Principalmente após a vigência da lei que criou diretrizes ao financiamento para os Clubes profissionais em relação a dívida com a União, que em seu inciso X, determina o investimento mínimo no futebol feminino. Quanto aos investimentos, temos que analisar que o Clube sobrevive de duas rendas: patrocínio e torcida. Considerando a obrigatoriedade da citada lei, os Clubes tradicionais deverão montar equipes femininas, fomentando assim o interesse de patrocinadores e torcedores, o que me remete a uma perspectiva muito positiva.

Lena Annes – O América já teve um time feminino, o que houve com a equipe anterior? Seus planos são de longo prazo?

Bárbara Fonseca – Sim, mas há décadas e o time foi extinto por motivos que desconheço. Os planos são para longo prazo sim, inclusive busco capacitação visando aprimorar as ações necessárias para engrandecer a modalidade.

Lena Annes – Ainda vamos ter times de futebol, dirigidos por mulheres, independente de ser masculino ou feminino? Qual a sua opinião?

Bárbara Fonseca – Penso que o cenário ainda é machista, contudo o mercado dá sinais de embarcar profissionais capacitados, independente do sexo.