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No Ângulo | Futebol é preciso

Palmeiras e a vantagem de decidir na Vila Belmiro?

29/04/2015

Créditos da imagem: Lancenet

Embora – pasmem! – o retrospecto histórico do Palmeiras em jogos contra o Santos na Vila Belmiro lhe seja favorável (com 42 triunfos alviverdes contra 40 vitórias para o alvinegros em 98 confrontos), a ideia do título da coluna é provocar e tentar colocar em xeque a teoria da suposta vantagem de uma equipe decidir um confronto de mata-mata jogando a segunda partida como mandante, senso comum no futebol.

Não sou do tipo avesso às estatísticas, acredito que em muitos casos elas são reveladoras e dão um norte a diversos tipos de análise. No entanto, ao tratar desse assunto, penso que seria prudente ponderar algumas variáveis importantes que podem nos levar a uma falsa impressão. Explico dando um exemplo: em tese, um time melhor colocado é superior tecnicamente àquele que ficou atrás na classificação. Espera-se, assim, que faça valer a sua superioridade em eventual duelo e elimine o rival menos qualificado. Creditar, portanto, ao fator “segunda partida em casa” a sua classificação pode nos dar uma falsa noção da realidade e a constatação de uma estatística “mentirosa”.

Sempre pensei que em duelos de equipes do mesmo porte – como no caso da final do Paulistão 2015 – jogar em casa e fazer o resultado no primeiro jogo (uma tendência), acaba por transferir, em escala maior, toda a responsabilidade ao adversário. É como se o Palmeiras em nenhum momento das finais tivesse sentido a pressão na qual o Santos agora se vê, de obrigatoriamente ter que vencer um rival igualmente grande. E o “ter que ganhar” é algo muito difícil de lidar entre times nivelados. Por vezes, até entre aqueles com uma disparidade enorme, como mostraram Santos e Ituano na final de 2014 (derrota santista nos pênaltis, em casa, após vitórias magras dos mandantes).

Sim, é plenamente factível o Santos voltar a vencer o Palmeiras atuando na Vila (fez 2 a 1 na fase classificatória), mas é bom que se ressalte que aquela partida não tinha o mesmo “peso” da decisão, a qual promete ser um tanto mais amarrada e estudada.

As circunstâncias dessa final me fazem lembrar do duelo entre Santos e Vélez Sársfield-ARG, pela Libertadores de 2012, quando o Santos então com Neymar e Ganso perdeu a partida de ida na Argentina por 1 a 0 e, às duras penas, em um jogo catimbado e predominantemente de marcação, conseguiu devolver o mesmo resultado jogando sob os seus domínios e classificou-se dramaticamente com o pênalti final cobrado pelo ex-lateral Léo (nas semifinais, cairia para o Corinthians, campeão daquela edição). Um verdadeiro sufoco, mas com final feliz para a torcida santista.

Algo que, para contrariar toda a tese da coluna (e aí que está o barato do futebol), pode voltar a acontecer. O Santos, com Robinho, tem muitas chances.

E segue o jogo.