
Créditos da imagem: Gilvan de Souza/Flamengo
O treinador colombiano Reinaldo Rueda, depois de se fingir de desentendido durante as festas de fim de ano, comunicou ao Flamengo, nessa segunda-feira, o que todos já sabiam: não ficará no clube em 2018. A seleção chilena atraiu o renomado professor, tal qual a mexicana fez com o ex-são paulino e também colombiano Juan Carlos Osorio e a pesadíssima Argentina fez com o também ex-tricolor paulista Edgardo Bauza.
Os três profes têm estilos diferentes, mas histórias no Brasil que se assemelham: chegaram com pompa, tiveram um raro respaldo dos clubes e saíram no meio do caminho pela mesma tara em treinar seleções, o que convenhamos, é uma grande moleza se comparada à pressão do dia a dia de agremiações do porte de Flamengo e São Paulo.
A falta de lealdade aos projetos chama a atenção. Opinião pública -leia-se mídia especializada- clama por treinadores de fora do Brasil há pelo menos uma década. Mentes arejadas e outras formas de pensar que poderiam, de fato, ajudar a melhorar o futebol brasileiro.
Ocorre que, acostumados a moer qualquer treinador que passe em suas casamatas -mais o Flamengo do que o São Paulo-, os clubes nacionais citados trocaram de papel e vestiram o chapéu de touro manso com os dois colombianos e o argentino.
No caso específico de Rueda e o Rubro-Negro, a coisa ainda teve tons de novelão latino.
Contratado como salvação, o técnico teve desempenho apenas razoável em seus primeiros momentos, mas o suficiente para se manter vivo para, então, começar de verdade o seu trabalho.
Se a expectativa do torcedor rubro-negro não era exatamente alta, calejado da decepção que foi o ano passado, ao menos ter um treinador renomado, já habituado com a cultura do país, fazendo a pré-temporada de um elenco reconhecidamente talentoso mostrava uma tendência a resultados melhores em 2018.
A frustração, entretanto, já acontece antes da temporada começar.
A coisa foi ainda pior já que o colombiano parecia bem inclinado a deixar a Gávea rumo a Santiago desde os primeiros rumores. Há semanas a imprensa chilena cravava a chega de Rueda à La Roja, mas o treinador não confirmava e negava de maneira pouco convincente.
Chegou no Rio, como prometido, para dizer tchau “cara na cara”. A ideia deve ser sair como sujeito respeitoso, mas não dá para passar pano: Rueda se junta a nomes como Mano Menezes e Cuca e sai do Flamengo como um covarde.
Atitude que, por tabela, atingirá todos os outros colegas de países vizinhos. Calejados com as traições dos profissionais que falam espanhol, os clubes brasileiros voltarão a fazer o papel que melhor realizam: o de dar o pé na bunda dos treinadores, no meio do caminho.
A reserva de mercado dos técnicos nacionais, que chia a cada chegada de gringo, agradece a benevolência dos “rivais” que cavaram suas próprias covas em solo tupiniquim.