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No Ângulo | Futebol é preciso

Opinião: falemos sobre Rodrigo Caio, mas e quanto a Zé Roberto? E mais

19/04/2017

Créditos da imagem: goal.com

Devemos aplaudir atitudes como a de Rodrigo Caio, mas devemos criticar mais os jogadores que fazem o contrário. Cavam pênaltis, fingem sofrer faltas, jogam torcedores contra os árbitros, tornando-os piores do que já são…

Mas nem tanto. Calma lá. Temos a mania de exagerar em tudo. Ir do oito ao 80 em piscar de olhos. Voos supersônicos.

A bela atitude de Rodrigo Caio, jogador do São Paulo, avisando ao árbitro de que ele, e não Jô, atacante do Corinthians, havia tocado no goleiro  Renan, seu companheiro, no jogo de domingo, virou manchete. Comentário obrigatório até nas missas. Eu também elogiei o zagueiro, mas não critiquei o outro, Maicon, que, no embalo, indagado, disse que não agiria da mesma forma – “prefiro que chore a mãe do outro…”.

Não é legal, mas também não é para pendurar na forca – já que nos aproximamos de Tiradentes. Muito pior, falando de “fair play”, fez Zé Roberto, uma hora antes, em jogo tão importante quanto, fingindo ter sofrido um soco no rosto, criando condições para que o árbitro punisse seu “agressor” etc.  Encenou, como um canastrão, e nada sofreu. Faltou o quarto árbitro, aquele que fica de fora, só olhando, avisá-lo da palhaçada. Faltou – aí sim, sou a favor – o olho eletrônico, com alguém dizendo, de imediato, no ouvido do árbitro o que de fato havia acontecido.

Faltou juntarem as duas atitudes em uma mesma reportagem, mostrando as diferenças. Qual a proporção entre uma atitude e outra você conhece desde que se entende torcedor atento? Mil por uma? Talvez menos. Em 1946 o Conselho Nacional de Desportos criou a lei Belfort Duarte, para premiar com medalha jogador, amador ou profissional, que atuasse em 200 partidas em no mínimo dez anos, sem ser expulso de campo. Em 1989 a CBF mudou a lei, determinando que o jogador só pode concorrer ao prêmio após encerrar a carreira. Sabe quantos são os medalhados? Nem eu. Aliás, Moises, bom zagueiro, mas que não brincava em serviço, repetia sempre que “zagueiro que ganha Belfort Duarte não é zagueiro”. Ou coisa parecida.

Logo chegaremos ao Jô, que se livrou de cartão amarelo graças a Rodrigo Caio – uma atitude que devia ser vista como normal e virou manchete. Antes vamos só lembrar de algumas atitudes nada decentes, prejudiciais aos adversários ou aos companheiros de profissão, e que não foram criticadas. Algumas, ao contrário, foram e são elogiadas. Lembra-se de Nílton Santos, lateral do Brasil, dando pulinhos de dentro para fora da área, após cometer pênalti – não marcado – na Copa de 1962? Lembra-se do gol de Maradona, com a mão, na Copa de 1986, com a Argentina derrotando a Inglaterra?  E lembra-se que ele ainda repete que foi “la mano de Dios”? Vocês os criticaram?

Já viu o teipe da cotovelada que Pelé deu em Montero Castillo, do Uruguai, após atraí-lo para um canto do campo, na Copa de 1970? O árbitro não viu e nada marcou. Como não tinha marcado as tantas botinadas desferidas pelo uruguaio. E da cotovelada de Leonardo num americano, na Copa de 1994, que valeu a ele cartão vermelho e suspensão? Poderia ficar aqui escrevendo por horas. Mas vou voltar ao Jô, que cavou – e confessou – o pênalti que deu a vitória ao Corinthians contra o São Bento, nesse mesmo Paulista. Sim, depois de domingo, Jô prometeu nunca mais…

Da mesma forma que sobre as cotoveladas, coices, jogadas maldosas, para quebrar, que nada têm de “fair play”, poderia aqui ficar horas lembrando de pênaltis cavados, gols com a mão, como do Túlio numa Copa América etc. Mas não vejo necessidade. Quero mesmo é, voltando ao início, dizer para irmos com calma. Para não ficarem, daqui pra frente,  achando que toda jogada dura é desleal. Que após toda contusão, se deve pedir desculpas. Que todo jogador que cai na área tá cavando pênalti e deve dizer isso ao árbitro… Futebol é jogo de contato. Não de agressão, mas de contato.