
Créditos da imagem: Acervo CBF
Goleiros sempre foram meus heróis no futebol. “Onde já se viu escolher como herói no futebol aquele cujo trabalho é impedir o gol?”, o esperto poderia me perguntar. Well, a resposta é simples. Sempre gostei dos estraga-prazeres, de gente do contra. Sou assim com tudo na vida. Em política, por exemplo, basta assumir um governante mais à esquerda que fico doido de vontade de ler -e mostrar para todo mundo que estou lendo-, publicações conservadoras como a National Review. Se temos alguém mais “reaça” em Brasília, aquele lugar cheio de monstruosidades que fazem vez de políticos, começo logo a achar a Luciana Genro mais interessante, a querer pregar pôsteres do Bill Maher em todas as paredes de casa, etc., etc., etc.
Mas, voltando aos goleiros, para piorar minha obsessão com os outsiders, arranjei espaço para amar alguns guarda-redes, no mínimo, malqueridos. Fui fã, dentre outros, de Doni, aquele incompreendido que defendeu meu Corinthians, a Roma, e o Brasil na Copa América de 2007 e no Mundial de 2010. Gostava também de Fábio Costa, um autêntico amante do Fair Play.
Não se consegue, entretanto, idolatrar só os renegados.
No Brasil, Marcos foi meu goleiro favorito e eu não conheço ninguém que não goste, de verdade, do Marcão. Fiquei muito feliz quando ele começou a ser convocado para Seleção e eu pude, enfim, chamá-lo de São Marcos, sem sentir culpa por estar torcendo, na cara dura, por um jogador do Palmeiras que, além de tudo, era e é palmeirense roxo.
Aliás, que Copa de grandes goleiros a de 2002. Marcos pegando até vento; o desconhecido e bárbaro Rüştü; Oliver Kahn, que passaria, sem problemas, por um robô de Exterminador do Futuro… Só faltou o meu goleiro favorito de sempre, Edwin van der Sar, o verdadeiro holandês voador, duas vezes campeão da UEFA, eterno defensor de uma seleção quase sempre talentosa e que sempre fica no quase, o guarda-redes mais elegante que o futebol já viu jogar.