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No Ângulo | Futebol é preciso

O Santos vem sendo tão mimado quanto o Palmeiras perseguido

01/11/2016

Créditos da imagem: Danilo Verpa/Folhapress

Absurdamente subestimado no início da temporada 2015, quando era apontado como um time fraco que poderia futuramente ser rebaixado no Brasileirão (o que provocou a célebre fala do presidente Modesto Roma Júnior, durante coletiva, na qual ele corretamente nomeava os grandes jogadores do elenco e dizia que era para ser campeão, não para cair), o Peixe cursou uma trajetória que o colocou em situação quase oposta já há mais de ano. Campeão paulista no ano passado, penou no começo do Brasileiro ainda sob o comando (e incompreensível insistência da direção) de Marcelo Fernandes, e se reencontrou a partir da chegada de Dorival Junior.

Então o alvinegro praiano subiu como um foguete no Brasileiro, teve grandes atuações, Lucas Lima era merecidamente considerado o melhor jogador do Brasil, Ricardo Oliveira foi o artilheiro do ano e do Campeonato Brasileiro, eliminou o Corinthians (que viria a ser campeão brasileiro com uma campanha memorável) com duas vitórias na Copa do Brasil, goleou o Atlético Mineiro (então postulante ao título) e chegou a ser até apontado como o melhor time do país. Constantemente um leão na Vila (ou Pacaembu) e um gatinho fora, chegou como franco favorito para a final da Copa do Brasil contra o Palmeiras, e dava toda a pinta de que ficaria também com uma das vagas para a Libertadores no Brasileirão. O resultado é o que sabemos: acabou perdendo a taça e ficando sem a vaga no G4 (garantida por um fraco São Paulo).

Neste ano, com o elenco mantido, a expectativa era alta. Lucas Lima, Ricardo Oliveira e Gabigol seguiam em destaque e sendo “marrentos”, fazendo provocações no estilo “ousadia e alegria” que tem faltado ao nosso futebol.

Embora tenha vencido uma vez mais o Paulista (o que já virou rotina para o clube), na fase de classificação ficou atrás de um Corinthians em construção após o desmanche que a equipe campeã brasileira sofreu para a China, e que ainda disputava paralelamente a Libertadores.

No Brasileiro, imaginava-se que fosse sentir muito por ter tido uma série de desfalques para a Seleção: primeiro com a Copa América, e depois com as Olimpíadas. Mas, surpreendentemente, o Peixe sobreviveu bem às absurdas “expropriações” durante a competição, tanto que chegou ao G4 na 8ª rodada e fechou a 18ª rodada na liderança.

A opinião pública e os torcedores santistas, em geral, esbanjam confiança e simpatia pelo time. Muitos pensavam que desta vez iriam conquistar um título importante. Sempre muito forte na Vila, neste ano aliava uma boa campanha como visitante. Continuava indo bem em jogos grandes (como quando fez 3 x 0 contra o Galo na Vila) e nos clássicos (perdeu apenas um no ano, contra o Corinthians, no turno, quado estava com a equipe totalmente desfigurada pelos desfalques). Vendeu Gabigol, mas encontrou Vítor Bueno nesse inesgotável celeiro de craques.

Mesmo assim, derrotas inexplicáveis para equipes como América Mineiro, Figueirense e Sport fizeram com que o título se tornasse um sonho distante, por mais que bata os concorrentes diretos. E ainda pior foi a vexatória eliminação na Copa do Brasil para um Internacional reserva e em plena crise.

Mas basta conseguir uma vitória como a do último fim de semana contra o Palmeiras, encerrando a invencibilidade de 15 jogos do líder do campeonato, para que volte a mesma soberba.

No título, fiz o contraponto com o alviverde porque com ele ocorre o exato oposto: enquanto o Peixe parece ser sempre cultuado e visto com bons olhos, não importando o que consiga no final, o Palmeiras sempre precisa andar na linha. Campeão da Copa do Brasil 2015, líder do Brasileirão com uma mão na taça, até outro dia com o melhor ataque e melhor defesa, o Palestra é constantemente contestado e parece sempre ter a provar.

Não preciso dizer o que tem provocado melhores resultados, se a cobrança ou o mimo, preciso?