
Créditos da imagem: Edição do No Ângulo a partir de original do UOL Esporte
A torcida do Flamengo já escolheu o seu vilão pelo vice-campeonato da Copa do Brasil. Alex Muralha, sem defender nenhuma das cinco cobranças cruzeirenses – sendo quatro delas em canto oposto ao qual optou o goleiro – é o responsável da vez.
Cartas marcadas. Era certo que caso o Flamengo perdesse esse título – e nesse caso por qualquer resultado que fosse – tudo cairia sobre o goleiro.
Por isso, crucificar Alex Muralha neste momento beira o absurdo. Primeiro porque Alex sequer atuou no primeiro jogo, quando, em casa, o clube carioca foi incapaz de fazer o seu dever. Segundo porque a falha de um goleiro neste jogo foi do jovem Thiago, e Alex nada mais fez do que assistir do banco à infelicidade do companheiro. Terceiro porque passou 90 minutos embaixo das traves em um Mineirão lotado e não levou gol. Quarto porque seu time mais uma vez foi incapaz de balançar as redes do adversário. E quinto porque não é tarefa fácil ser um pegador de pênaltis.
Nesse último, um detalhe: Alex Muralha realmente nunca se destacou pelo que fez debaixo das traves na hora das cobranças máximas. Mas nem mesmo Fábio, o grande e consagrado goleiro que estava do outro lado, pegou mais de uma cobrança. Você pode debater que uma foi mais do que o necessário para o Cruzeiro e que não precisaria de mais, mas vejamos, mesmo um grande goleiro como Fábio levou 75% das cobranças de pênalti na decisão, inclusive com uma bola passando por baixo de sua barriga.
Crucificar Muralha é botar em xeque a carreira de um goleiro que chegou a ser convocado para a Seleção Brasileira em um momento em que o país convive com um sem-número de goleiros de alto nível.
Diego errou o pênalti e ninguém falou nada nem o crucificou – e nem deveria, pois errar é uma possibilidade e grandes nomes do futebol mundial já erraram. Mas é injusto botar a culpa toda num goleiro sem que ele realmente tenha comprometido. É injusto, pois Muralha já entrou em campo com a máscara de vilão, fizesse o que fizesse. Não pegou pênaltis, mas também não é fácil de pegar. Não é como cortar uma bola ou dar um passe de lado. Nem se comparam.
O futebol historicamente encontra seus vilões. Mas tem horas em que também é preciso encontrar roteiristas melhores.