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No Ângulo | Futebol é preciso

O Gênio e o Monstro

18/02/2018

Créditos da imagem: Reprodução / TV Foco

Que há bizarrices em boa parte da imprensa esportiva brasileira já estamos cansados de saber. A todo o momento somos bombardeados por opiniões que mudam ao sabor dos resultados e desafiam por vezes a lógica, para não falar da coerência. Mas faz parte do show, há quem goste, consuma, comente e concorde com esse tipo de opinião desencontrada. Ainda assim, porém, algumas conseguem se sobressair (não que isso seja bom).

Lembro de um “Bem Amigos”, em algum pós-jogo da Seleção do Dunga, que o comentarista Casagrande disse que essa geração da Seleção Brasileira não seria campeã de nada, pior, sofreria para chegar à Copa do Mundo. Sem Neymar, diziam que ela estava no nível, vejam só… do Peru! Veio Tite, a maior arrancada desde o time de Saldanha e, bom, o resto é – e ainda será – história. Mas vá lá, a situação dava medo mesmo, apesar de achar evidente que o problema maior não eram os nomes que compunham aquele elenco.

Eis que esses dias, depois do duelo entre o PSG e o Real Madrid, o mesmo ilustre comentarista criticou Neymar por uma alegada “falta de coletividade”. Evocando a célebre frase de Renê Simões, no longínquo início de carreira do então Menino da Vila, afirmou que desse jeito o “monstro” só iria piorar. Eu, particularmente, não vi uma má atuação do camisa 10 do PSG. Pelo contrário, com exceção de alguns equívocos no início do jogo, quando exagerou em algumas fintas no meio-de-campo, vi um Neymar na melhor forma, abrindo espaços na defesa merengue, incisivo como um craque que é. Não vi culpa no atropelo que foi o fim do jogo do Real.

O problema, contudo, não é o comentarista global. O cerne da questão, creio eu, é a ausência de profundidade na análise futebolística de uma forma geral. Não se olha para um todo, apenas para o placar. Fosse o resultado 1 a 0, estaríamos hoje ouvindo o quanto Neymar é genial. Tenho diversas ressalvas ao “menino” de Mogi das Cruzes. Algumas filosóficas, algumas de estilo de vida, enfim, poucas envolvem, de fato, o futebol.

O PSG pode ainda virar o placar em casa (quadro que hoje parece mesmo improvável), mas para mim parece claro que Neymar jamais será Messi, por razões que ultrapassam o argumento óbvio de que o brasileiro não é profissional suficiente. Messi foi forjado no futebol europeu, tem mais consciência tática e evidentemente sobra talento, é acima da média em todos os quesitos. Porém, jamais jogou sozinho no Barça, um time que tem um jeito e um pensamento claro sobre futebol, coisa que não sabemos se o PSG um dia vai ter. Não se deve endeusar Neymar, mas quero só ver o que vão dizer se ele trouxer o hexa…