
Créditos da imagem: Montagem / No Ângulo
Chororô, dancinha na frente da torcida adversária e gandula comemorar gol do time da casa provocaram reações iradas nos últimos dias. “Em nome da boa prática esportiva”, jogadores de times que estão perdendo ou sofreram gols se acham no direito de estabelecer regras de comportamento na comemoração de gols dos adversários. Está feio! Isso, em minha época de garoto, era coisa de mau perdedor, ignorante e… chorão! E eu ainda não mudei de opinião.
Vamos começar pela reação dos botafoguenses ao “chororô” do flamenguista Vinicius Jr, na comemoração de seu gol sobre o rival, o da classificação do time à final da Taça Guanabara. Os botafoguenses foram para cima do garoto de 17 anos e a diretoria do clube decidiu retaliar o rubro-negro, se recusando a liberar o estádio Nilton Santos para a decisão do torneio. Não tiveram nem vergonha de assumir o motivo.
No Barradão, em Salvador, os jogadores do Vitória agrediram um adversário do Bahia que provocou a torcida depois de fazer o gol de empate da partida. Deram socos, pressionaram e iniciaram uma batalha campal. Depois de sete expulsões (três do Vitória, além de dois reservas e dois titulares do Bahia), o jogo recomeçou. Depois de mais uma expulsão, justa!, os jogadores do rubro-negro baiano provocaram nova expulsão para que o jogo fosse encerrado. Quem desrespeitou mais a torcida: o que fez gracinhas ou os que melaram o jogo?
No mesmo dia, em Campo Grande, um jogador e o massagista do Operário-MS agrediram gandula, de 19 anos, que comemorou o gol do Comercial-MS, durante o principal clássico do Estado. As cenas foram revoltantes. O jogador em cima do garoto, deitado no chão, dando socos implacáveis em seu rosto. Comemorar gol em campo durante o trabalho não é uma atitude exemplar. Mas esmurrar um menino é o quê?
O Brasil está precisando de menos frescuras e mais futebol. Jogadores e times medíocres acham que dar uma de valentões melhorará suas imagens diante das torcidas cada vez mais sedentas de bom futebol. São, no mínimo, atitudes demagógicas e antiesportivas.
Existem vários relatos de que Pelé, sempre provocado pelas torcidas adversárias do Santos, respondia batendo no peito com a mão, como quem diz: “deixa comigo”. E ia lá e cumpria a promessa. Merecia apanhar? Romário fazia o gesto do silêncio nas comemorações de seus inúmeros gols. Deveriam dar pancada no baixinho? Muitos defendem a virilidade de zagueiros e volantes botineiros, mas condenam provocações em que é usada a habilidade, como as embaixadinhas do corintiano Edilson contra o Palmeiras de Paulo Nunes, na final do Paulistão de 1999.
Houve uma época, no final dos anos 90, se não me engano, em que os juízes foram orientados a tentar coibir o que achavam desrespeito ao adversário. Uma ordem tão ridícula que durou pouco. Até rolinhos e chapéus chegaram a ser motivo de advertências dos árbitros. Na época, escrevi em coluna que tinha em um jornal paulistano, que Garrincha não duraria cinco minutos em campo.
Está na hora de se prever punições drásticas para evitar que os ignorantes sem talento ditem as regras e acabem com a alegria do futebol.