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No Ângulo | Futebol é preciso

O cartão vermelho de Maicon só antecipou o que já vinha se desenhando

07/07/2016

Créditos da imagem: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Normalmente não gosto deste tipo de abordagem, mas creio que o impactante São Paulo 0 x 2 Atlético Nacional deve ser realmente creditado ao ótimo time colombiano. Dono da melhor campanha da competição e demonstrando uma calma e controle de jogo que nenhuma equipe brasileira é capaz, os “verdolagas” já estavam melhores no segundo tempo mesmo antes da expulsão de Maicon.

Depois do cartão vermelho para o outrora salvador zagueiro tricolor, virou um passeio. O Atlético Nacional deu uma aula de como se aproveitar de um homem a mais em campo, e deu a impressão que se a partida durasse mais tempo com 11 x 10, faria mais e mais gols. Essa é outra habilidade que não costumamos ver muito no nosso futebol, onde triangulações curtas com passes de primeira – a melhor maneira de envolver o adversário e explorar a vantagem numérica – são raras.

Aliás, louve-se o treinador colombiano Reinaldo Rueda, que formou uma equipe que pratica exemplarmente o que chamamos de “futebol moderno”. Depois de classificar e comandar a seleção de Honduras para a Copa de 2010 e a do Equador para a Copa de 2014, este técnico internacional, que tem formação na Alemanha e boa passagem pela própria seleção da Colômbia, deveria entrar definitivamente no radar dos clubes brasileiros.

Sobre o São Paulo, bem, creio que agora é momento de juntar os cacos para o Campeonato Brasileiro. Para a próxima quarta-feira a ideia deve ser a de ir a campo e tentar fazer o melhor possível fora de casa contra a melhor equipe da competição, já que a classificação é basicamente impossível. Principalmente se considerarmos que, tirando um empate na última partida da fase de grupos (quando já tinha a liderança garantida), o Atlético Nacional venceu todas as partidas em casa por pelo menos dois gols de diferença, enquanto o São Paulo simplesmente não sabe o que é vencer como visitante nesta Libertadores.

E convenhamos que o são-paulino não deve lamentar muito. O São Paulo faz uma campanha sem nenhum brilho, aos trancos e barrancos, mais baseada na força da camisa e na mística do clube na Libertadores. Nas outras competições, nem isso. Tenho convicção de que quase ninguém esperava que chegasse a esse ponto da competição.

A maior esperança são-paulina para esta semifinal era que o Atlético Nacional perdesse o embalo de antes da parada para a Copa América, o que ficou provado que não aconteceu. E se ainda pensarmos nos desfalques de Ganso e Kelvin…

Para finalizar, achei a expulsão de Maicon correta. O que ele fez não tem nada a ver com o jogo, não é minimamente aceitável em um contexto de “jogo limpo”. E me lembrou de algo que meu pai sempre me disse: “a pior coisa é quando alguém passa a ser exaltado por uma característica só. Vira refém disso e acaba perdendo a mão”. Foi impossível não recordar disso quando o bom e promissor zagueiro de R$ 22 milhões, que só vinha sendo exaltado como “monstro”, “raçudo”, “fera” e “xerifão”, recebeu o vermelho e pareceu confirmar a eliminação que já vinha se desenhando com a sua presença.