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No Ângulo | Futebol é preciso

O Brasil diminui a Neymardependência

24/03/2018

Créditos da imagem: REUTERS/Sergei Karpukhin

O jogo entre Brasil e Rússia teve um primeiro tempo sonolento. Os russos, que certamente apresentam uma das seleções mais humildes de sua história, montaram uma retranca fechadíssima. O Brasil trocava bolas na frente da área, mas pouco conseguia de agressividade.

No segundo tempo, Tite corrigiu o posicionamento da equipe. Coutinho se movimentou mais à frente da defesa adversária. Willian e Douglas Costa se tornaram mais efetivos jogando abertos nas pontas e Paulinho entrou nos espaços entre as linhas russas com mais desenvoltura.

O Brasil passou a criar chances na linha da pequena área adversária. O futebol de Willian e Coutinho apareceu. Douglas Costa aproveitou a chance que lhe foi dada no amistoso. E Paulinho mostrou-se um jogador essencial para a campanha do Brasil na Copa.

A defesa, bem protegida por Casemiro (que não tem a mesma liberdade de aparecer no ataque como no Real Madrid), é competente. Miranda, Thiago Silva, Marquinhos e Geromel conseguem manter o nível de atuação. Marcelo é um dos grandes craques do time. Já Daniel Alves destoa às vezes do restante. O duro é achar um substituto à altura da experiência internacional dele.

Gabriel Jesus mostrou a enorme dificuldade que tem ao jogar centralizado contra defesas fechadas. Resolver esta situação é uma tarefa importante para Tite. Firmino, que entrou no segundo tempo, também não mudou o quadro. Poderíamos ver uma experiência com William José, Jô, Fred ou outro atacante mais encorpado para buscar espaço entre os adversários grandalhões.

Claro que com Neymar o time ganha muita qualidade. E também passa a jogar em função do camisa 10. Não quero dizer que Neymar é problema. Pelo contrário, é um tremendo diferencial para a Seleção Brasileira. Mas, felizmente, parece que estamos em um estágio diferente do de 2014, quando a contusão de nosso maior craque transformou o time em um bando, que tomou dez gols em dois jogos (7 a 1 da Alemanha e 3 a 0 da Holanda).

Temos hoje um técnico competente e em grande fase. E um grupo mais maduro que tem opções até para fazer uma apresentação muito boa mesmo sem Neymar em campo. Imagine quando o namorado da Bruna Marquezine estiver em forma e integrado ao esquema?