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No Ângulo | Futebol é preciso

No ano novo com o país aos cacos, nosso futebol local virou a periferia da periferia

07/01/2016

Créditos da imagem: ESPN

Não importa o que tenha ocorrido nos últimos doze meses, a cada troca de ano nossa esperança de que os 365 dias seguintes sejam melhores é sempre renovada. Após um ano incrivelmente problemático e turbulento como foi 2015 para os brasileiros, mais ainda.

Falando de futebol, após o 7 x 1 para a Alemanha, virou padrão exigirmos as severas mudanças de que precisamos. Em passo de tartaruga, como costuma acontecer por aqui, elas até têm se desenhado: aprovação da MP do Futebol, criação da Primeira Liga, aumento de público nos estádios, aumento do tempo de bola em jogo, etc. Claro que não é o que queremos, mas quem diz que nada mudou no futebol brasileiro é ranzinza.

Só que este começo de 2016 tem sido arrasador para quem sonhava com dias melhores para os nossos clubes no cenário internacional. Se no período 2009/2013 vivemos uma euforia que nos permitiu segurar Neymar até quando já era uma estrela internacional, repatriar ídolos como Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e Robinho, contratar astros estrangeiros como Seedorf e Diego Forlán, e até mesmo fazer loucuras como a contratação de Alexandre Pato por 15 milhões de euros, hoje somos a periferia da periferia.

Se o Cruzeiro, bicampeão brasileiro 2013-2014, já tinha perdido seus principais jogadores para o Catar e a China, o atual campeão brasileiro, Corinthians, está sendo simplesmente desmanchado por clubes chineses dos quais nunca tínhamos ouvido falar antes. E o mesmo pode acontecer com todos os gigantes brasileiros, absolutamente à mercê da vontade de irrelevantes clubes periféricos.

Por mais que nosso futebol devesse ser MUITO mais rico e organizado, seria impossível que ele passasse sem danos pela gravíssima crise (que se aproxima de uma depressão econômica) vivida pelo país. Se já é péssimo para qualquer setor pela conjuntura nacional (queda nas receitas, aumento dos juros, diminuição dos investimentos, etc.), no futebol, que sofre total concorrência externa, o efeito é simplesmente devastador. Como não existe crise internacional (ao contrário do que o governo falsamente propagandeia), o resto do mundo continua estável enquanto nós recuamos, e só pela desvalorização do real, já ficamos cerca de 50% mais pobres em relação a outros países no último ano. Para exemplificar: em janeiro de 2015, a “irrecusável proposta salarial chinesa” para o Renato Augusto equivaleria a R$ 1 milhão, não a R$ 2 milhões como agora. Se mesmo os profissionalizados clubes europeus sofreriam demais num cenário desses, imagine então os nossos.

E a continuar assim, as coisas só vão piorar. Feliz ano novo!