
Sempre vi Neymar como um jogador extraordinário e capaz de ficar marcado na história como um dos melhores de todos os tempos, senão o segundo, atrás somente de Pelé.
Até o fim do ano passado a sua trajetória vinha sendo irrepreensível: diversas vezes campeão pelo Santos (incluindo uma Libertadores na qual foi o protagonista), sempre sendo o craque do time e fazendo gols em finais; foi Bola de Ouro do Brasileirão de 2011 e teria sido de 2012 também, se, com apenas 20 anos, não tivesse recebido o prêmio hors concurs (considerado fora da disputa), honraria até então conferida somente ao Rei Pelé; campeão e melhor jogador da Copa das Confederações 2013 pela Seleção Brasileira; ótima atuação na Copa do Mundo, com quatro gols em cinco partidas, e tendo perdido o restante do Mundial em virtude de uma lesão (assim não tendo participação no vergonhoso 7 x 1); campeão e artilheiro da Champions League pelo Barcelona, alcançando o feito inédito de marcar gols em todas as partidas das quartas, semi e final, bem como de ser campeão e artilheiro da Libertadores e da Champions; quantidade impressionante de gols pela Seleção Brasileira, que indicava que ele teria tudo para superar o número de gols de Pelé pela Canarinho e se tornar o jogador com mais gols por uma seleção nacional em todos os tempos, entre outros feitos. É indiscutivelmente um dos começos de carreira mais inquestionáveis e impressionantes da história do futebol.
Sou fã de Messi e creio que hoje ele é o segundo maior da história. Mas, futebolisticamente, sempre tive uma preferência por Neymar, que foi decisivo onde jogou e, para mim, tem um repertório ainda maior que o do argentino. Eu era do tipo que esperava que Neymar fosse superar “La Pulga” e se tornar o melhor do mundo (digo sobre ser de fato, não na política eleição da FIFA). Hoje, duvido cada vez mais disso…
Depois de um final de 2015 em que assumiu o protagonismo de um Barcelona sem Messi, e de ser eleito o terceiro melhor do mundo pela FIFA, este 2016 que prometia ser o ano da consagração, vem sendo, na verdade, o da “coadjuvação”. E como coadjuvante total não apenas do argentino, mas também de Suárez. Adoro o futebol do uruguaio, mas Neymar é claramente um jogador de outro nível. Só que não tem demonstrado isso em campo.
E o que me parece mais grave: Neymar, que sempre foi absurdamente bem na Seleção Brasileira (ao contrário de Messi e Cristiano Ronaldo, por exemplo), passou a ser uma decepção. E não apenas pelas seguidas suspensões por indisciplina (o que já seria preocupante), mas porque vem jogando mal. Frequentemente abusa do individualismo e perdeu a efetividade: se antes era certo que se tornaria o maior goleador da seleção pentacampeã mundial, essa probabilidade vem diminuindo, à medida em que, desde o começo de 2015, tem quatro gols, cinco cartões amarelos e um vermelho com a Verde-Amarelo.
A nossa imprensa – que vem se pautando muito pelo reconhecimento internacional do nosso craque – continua a tratar como se nossa única estrela continuasse em franca evolução, “cada vez mais maduro no futebol europeu”, mas não é o que vejo. Sinto que, após evoluir sem parar durante anos, seja atuando no Brasil (onde nunca deixou de melhorar) ou na Europa, Neymar estancou.
É bem verdade que vem tendo esses problemas pessoais com as acusações de sonegação e a polêmica negociação com o Barcelona, e isso pode ter alguma influência (assim espero). Mas também é verdade que, às vezes, ele revela certa falta de foco com algumas viagens e “baladas” enquanto outros jogadores de seu nível estão treinando.
Enfim, espero realmente que seja apenas uma fase, mas creio que é momento para uma reflexão. E eu ainda acho que o melhor seria que saísse do Barcelona, que caminha sem ele. Mas isso já é assunto para outro texto…