
Créditos da imagem: Aurelien Meunier/Getty Images
Quantas vezes você viu um jogador fazer quatro gols e sair vaiado de campo? Pois ontem contra o desconhecido Dijon, Neymar Jr, o menino birrento, logrou mais este êxito para sua mimada carreira.
Não bastasse a polêmica no início da temporada com o uruguaio Edinson Cavani pelas cobranças de pênaltis e faltas, Neymar, após fazer três gols, negou-se a permitir que o companheiro de ataque batesse o pênalti, sofrido pelo camisa 9, que garantiria o oitavo gol da equipe francesa e, de quebra, daria ao centroavante a marca de maior artilheiro da história do Paris Saint-Germain.
Uma birra desnecessária, que tem sido constante na carreira do camisa 10 desde seus tempos de Santos, resultado de uma invenção de líder que Neymar, claramente, nunca esteve pronto para ser.
Líderes natos são transformados ao longo da carreira. Neymar Jr. foi elevado ao patamar sem sequer ter passado pela obrigação de servir. Pensa que é o dono da bola, do campo, do clube, da torcida e dos companheiros de time.
A culpa, obviamente, é muito mais nossa do que dele, pois Neymar nunca quis liderar. Recusou expressamente a faixa de capitão da Seleção Brasileira ao término das Olímpiadas, mas mesmo assim recebeu-a durante os jogos das Elminatórias, como se o enfiassem goela abaixo a obrigação de estar à frente de seu time.
Está cada vez mais claro que Neymar não nasceu para ser um líder e nem o faz questão de sê-lo. Não é como Messi que o liderou em suas temporadas em Barcelona, nem como Cristiano, fundamental para o título europeu de Portugal mesmo em condições físicas degradantes.
Na verdade, a liderança de Neymar é inventada pela mídia e por seus treinadores, o que acaba por se tornar uma obrigação que nunca lhe coube e que não está em suas características. É possível, inclusive, ter dúvidas se Neymar tem realmente o sonho de ser um líder virtuoso, cabecinha de vento como o é.
O que não é possível é imaginar Neymar unindo um grupo como um líder deveria fazer. A não permissão a Cavani para que batesse o pênalti em jogo que estava 7 a 0, repito, SETE a zero, demonstra que, por um gol a mais em sua carreira, o brasileiro é capaz de desconsiderar todo o andamento da temporada e o bom relacionamento de um grupo de jogadores.
O perigo disso tudo é que, na hora em que mais se precisar de um líder, Neymar pode se calar, mimar-se ou chorar, como tem feito em sua carreira, e que, quando mais precisarmos dele, como na disputa pelo Hexa, não o veremos com firmeza.
Aparentemente ainda na pré-adolescência, Neymar nos faz lembrar o dono das bolas de futebol na época dos campinhos, em que tudo só aconteceria se fosse de acordo com ele.
De um absurdo pra Galvão nenhum botar defeito.