
Créditos da imagem: André Mourão/MoWA Press
O Brasil que entrou para enfrentar a Bélgica, nesta sexta-feira, pelas quartas de final da Copa do Mundo da Rússia, não era o melhor Brasil na cabeça de Tite, que contava com desfalques na lateral-direita (o titular original e o reserva imediato) e na cabeça-de-área, sem um dos jogadores de maior regularidade nos últimos tempos.
Ainda assim, o time esbarrou em lances fortuitos, como um gol contra, um goleiro rival em boa noite e por pouco não levou o jogo, ao menos, para uma prorrogação – que daria tempo e ânimo à Seleção Brasileira.
Uma derrota de 2 a 1 triste, mas normal. Afinal, a Bélgica é mesmo um time forte, principalmente do meio para frente, e teve seus méritos em encaixar com muita competência o esquema de contra-ataque que propôs.
Mas a derrota sem traumas, com muita luta, desfalques importantes e uma dose de azar, não pode esconder alguns erros cometidos pelo treinador: o Brasil que entrou em campo não era o melhor na cabeça de Tite, mas também não foi o melhor possível.
É claro que, com a obra feita, um engenheiro-palpiteiro vai acertar a previsão do passado. Mas justiça seja feita, muitos já listavam alguns erros que o competente (e professoral) Tite já vinha cometendo.
O primeiro foi na convocação. Não há grandes jogadores capazes de mobilizarem a opinião pública, a mídia e os torcedores, mas, leite derramado, podemos reafirmar com clareza o que muitos já haviam dito antes: o técnico errou em manter Fred, machucado, e ao optar por Taison, que foi de espectador, deixando os craques da Libertadores do Grêmio, Arthur e Luan, de fora.
A convocação passou, os questionamentos arrefeciam à medida que o time ia se acertando, principalmente a partir do segundo tempo do segundo jogo.
Mas outros questionamentos, dessa vez quanto às escalações, permaneciam. O principal deles atendia pelo nome de Gabriel Jesus. O bom jovem do City fez tudo que se espera de um jogador em termos de entrega e comprometimento, mas nada do que se aguarda de um atacante de 100 milhões de reais. Pior: no banco, Roberto Firmino, em fase muito melhor há meses e um atleta com mais recursos técnicos, teve que se contentar com minutos finais de abafa e desespero.
Já o melhor lateral-esquerdo do mundo, o ala Marcelo, claudicava. Ao se machucar no 3º jogo, colocou a vaga no colo do regular Filipe Luís, que cumpriu as expectativas, elevou o nível do setor, mas…perdeu a titularidade assim que o cacique voltou. Mais uma vez, em mais uma Copa, o ala do Real Madrid não fez nem metade do que se esperava dele. Mesmo assim, terminou de titular.
Seria difícil deixar Marcelo no banco, mas afinal, para que está lá um treinador do porte de Tite, se não para escolher os melhores, e não os mais famosos?
Dois erros nítidos – e alertados por muita gente boa antes da eliminação – e que podem ter custado a vaga para as semis. Claro, houve pontos que fogem do alcance do treinador: Neymar e Coutinho jogaram suas piores partidas na Copa.
O técnico tem méritos na regularidade e no bom desempenho da equipe desde que assumiu o comando da seleção, quando pegou terra arrasada em tudo e construiu do zero. Tem também moral para continuar à frente do time, mais ainda agora que as desejadas propostas da Europa devem ficar apenas no campo do desejo.
Mas, sem ficar só no discurso bonito, terá que aprender com seus erros, alguns muitos parecidos com os de antecessores, como em criar uma “família” e praticamente fechar a convocação com um ano de antecedência, como Felipão, ou a falta de variação tática e ousadia na escolha dos reservas, como Dunga.
Enfim, o discurso de aprendizado após a eliminação tem se tornado comum no Brasil, mas verdade seja dita, nunca antes pareceu estarmos no caminho. Resta esperar mais quatro anos.