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No Ângulo | Futebol é preciso

Mercado da bola: desgaste entre torcida e elenco deveria fazer o Santos apostar em fórmula que já deu certo

14/11/2017

Créditos da imagem: UOL

Criatividade na crise – Por mais trocas no futebol brasileiro

Nem vou entrar muito no mérito se os questionamentos da torcida santista em relação ao atual elenco do clube são justas. Não é disso que quero tratar nestas linhas.

Fato é que desde a doída derrota para o Palmeiras na finalíssima da Copa do Brasil de 2015, dita relação começou a desandar e, agora, após algumas outras eliminações e perdas de títulos, penso que já não há mais clima para alguns jogadores continuarem no clube.

Em 1998, o Santos de Athirson e Lúcio foi campeão da Copa Conmebol

Por esse motivo, lembrei de um fato ocorrido no já distante ano de 1998, quando Santos e Flamengo fizeram uma troca de atletas que acabou sendo muito feliz para ambos. Caio (à época sem o “Ribeiro”) e Marcos Assunção, então jogadores do Santos, foram para a equipe carioca em troca de Athirson e Lúcio (que um dia Pelé chamou de estrela mais brilhante da constelação do Goiás, clube que o revelou, e que passaria a ser conhecido como “Lúcio Bala”). E os quatro se saíram muito bem. A negociação acabou se mostrando benéfica a todos os envolvidos. Sabe aquele papo de que um negócio só é bom quando é bom para todos? Pois é, foi assim no caso em questão.

Veja o caso de Victor Ferraz. Lateral consciente e ótima opção ofensiva, é objeto de desejo de clubes rivais, mas quase uma persona non grata para muitos santistas (muito em conta do preconceito religioso, mas deixemos pra lá esse assunto).

Será que ele não poderia, sei lá, ser trocado com o São Paulo (leia aqui sobre o interesse de Dorival Júnior no atleta) pelo Reinaldo (lateral-esquerdo emprestado à Chapecoense pelo Tricolor)? Ou quem sabe pelo Jean, hoje encostado no Palmeiras?

Há cerca de três semanas, ouvi rumores de que Santos e Palmeiras estariam interessados em trocar jogadores: Copete iria para o Alviverde para tentar brilhar ao lado de Guerra e Borja, e Erik, antigo parceiro de Bruno Henrique nos tempos de Goiás, chegaria ao Alvinegro Praiano. Li até que Zeca, em litígio com o Peixe, poderia ser trocado por outro palmeirense: Róger Guedes.

Maravilha!

Já escrevi aqui que nunca entendi a razão desse tipo de negociação – envolvendo a troca pura e simples de jogadores – não ser mais frequente. Será pela rivalidade? Pelo temor de oferecer um negócio e este não ser aceito? Medo de depreciar os próprios atletas? Ou seria pela (falta de) confiança dos nossos dirigentes uns nos outros? É muito amadorismo. Faltam gestão e visão. A rivalidade é diferente do fanatismo. Este cega. E emburrece.

Na mesma linha, empréstimo de jogadores “encostados” (com o preço do “passe” fixado) pode ser interessante. Vide o caso do já mencionado Reinaldo. Assim, quando voltar, o atleta poderá render um bom dinheiro à equipe “dona” de seus direitos federativos. Ou, ainda, ser reintegrado ao elenco plenamente recuperado e confiante. Ou, no pior dos cenários, a constatação de que “não serve” mesmo.

Enfim, o céu é o limite para transações como essas. Em muitos casos, não há nada mais moderno do que aprender com o passado: na década de 1970, ficou para a história o lendário “troca-troca” no futebol carioca, implantando por Francisco Horta, ex-presidente do Fluminense, que agitou os grandes do Rio e envolvia até mesmo craques de seleção.

Mais criatividade, a mesma rivalidade e menos fanatismo. O futebol agradece.

E segue o jogo.

OBS: quanto a Lucas Lima, o melhor jogador do time, penso que há muito desgaste na relação clube-jogador-torcida e que a sua iminente saída será positiva para todos os envolvidos.