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No Ângulo | Futebol é preciso

Lucas Lima, a trajetória de um candidato a craque

17/04/2015

Créditos da imagem: Ricardo Saibun/Divulgação Santos FC

Penso que o craque deve possuir alguns atributos para que possa ser colocado nesta condição, entre eles: técnica apurada; leitura privilegiada do jogo e capacidade de antever as jogadas; poder de decisão; compreensão da evolução do esporte e de sua parte física e tática e – e aqui nem todos concordarão -, ser um jogador ofensivo. Explico: sou daqueles que não conseguem tratar jogadores de defesa como Oliver Kahn (goleiro eleito pela FIFA o craque da Copa de 2002) ou Cannavaro (zagueiro eleito na Copa de 2006), por exemplo, como craques. Pra mim, goleiro e zagueiro simplesmente não traduzem a essência do futebol, são uma espécie de anticlímax, embora imprescindíveis.

Feita a definição, falemos de Lucas Lima, jogador nascido em Marília, interior paulista, que, com ótimas atuações pelo Santos, tem chamado a atenção.

Com apenas 24 anos, o meia já tem boas histórias pra contar. Em 2011, atuando pela Internacional de Limeira, teria sido convidado via empresários a atuar pelo Palmeiras B. Ao saber desse contato, o seu técnico à época, Lelo, o teria aconselhado a aguardar uma nova proposta, já que, segundo o seu entendimento, o meio-campista teria gabarito para atuar em um clube da Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro. Conselho acatado, Lucas Lima superou as desconfianças dos dirigentes do time de Limeira, que o julgavam franzino, com porte físico questionável para os competitivos jogos das divisões inferiores, e quase foi parar no Racing Santander, da Espanha, quando despertou o interesse do clube europeu durante excursão de sua equipe no interior daquele país, mas não pôde assinar contrato porque não tinha o passaporte comunitário.

Passada a excursão, o técnico Lelo teria comentado com o seu presidente: “O potencial técnico dele superou tudo, temos um craque cerebral nas mãos”.

E, assim, a profecia começaria a tomar forma. Mas não sem dificuldades. O Internacional de Porto Alegre, uma potência nacional, seria o seu destino.

Com poucas oportunidades na equipe gaúcha, tendo sido treinado por grandes treinadores como Fernandão, Dorival Júnior e Dunga (!), foi rebaixado à equipe sub-23 para reforçar a musculatura e acabou sendo emprestado para jogar a Série B do Brasileirão de 2013 pelo Sport, o que seria um trampolim na sua carreira.

Após uma excelente Série B pelo clube pernambucano, quando foi peça fundamental no retorno da equipe à elite, voltou ao Inter e foi alvo de cobiça do Palmeiras. Bem avaliado por Gilson Kleina, técnico palmeirense naquela oportunidade, quase foi envolvido em uma troca com o clube gaúcho, que tinha interesse em Luan (atacante do clube paulista que estava emprestado ao Cruzeiro). No entanto, da lista tríplice de Kleina para a meia – além de Lucas Lima, Elano e Bruno César estavam na pauta palmeirense – o clube optou pelo último, deixando o caminho livre para o Santos efetivar a contratação daquele que viria a ser o seu maestro.

Na Baixada Santista desde 2014, Lucas Lima tem se mostrado aquele jogador cerebral que o seu antigo técnico pregava, sendo destaque e preenchendo a lacuna deixada por Ganso no clube. Aliás, o atual comandante do meio de campo do Santos parece entender e sentir mais o jogo que a ex-promessa santista, hoje no São Paulo, sendo o jogador titular (pasmem!) com maior número de desarmes da equipe no Campeonato Paulista.

A sua capacidade de “clarear” os lances, de fazer lançamentos, sua qualidade no passe e intensidade durante os jogos, fazem com que ecoem os primeiros questionamentos sobre uma eventual convocação para a seleção brasileira.

Tomara, pois o fato de tratarmos os apenas bons jogadores Oscar e William como “intocáveis” na seleção apenas evidencia a entressafra de craques do nosso futebol.

Que Lucas Lima se confirme como um. Que fique no Brasil e resista à tentação financeira de propostas que começam a surgir e trace meticulosamente sua carreira. Que seja ambicioso.

E segue o jogo.