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No Ângulo | Futebol é preciso

Heleno de Freitas e a “razão do coração”

08/11/2017

Créditos da imagem: Botafogo

Quase um ano após a sua inauguração, um dos maiores jogadores que o Brasil já produziu teria no Maracanã o palco monumental do fim de sua carreira. O grande Heleno de Freitas, já com sinais evidentes da doença que apressaria sua morte, assinou contrato com o América. Amigos mais chegados tentaram evitar a volta. Mas Heleno era teimoso e resistiu a todos os apelos. Numa tarde de sábado – em maio de 51 –, ele subiu os degraus que dão acesso ao campo e fez pose ao notar a aproximação de um fotógrafo.

Heleno, porém, só jogou os primeiros 35 minutos iniciais, após acertar um carrinho violento em um zagueiro adversário. Mostrava-se mais irritado do que se poderia imaginar. O América perdeu para o São Cristóvão: 3 a 1. A torcida não perdoou Heleno – sobre ele foi jogada a culpa da derrota e da queda que o time sofreu nos jogos seguintes. Muitos dirigentes foram criticados por sua contratação.

Rodrigo Santoro viveu o atormentado “Heleno” nos cinemas

À noite, Heleno vestiu um dos seus mais bem cortados ternos, calçou um sapato sob medida – como era seu hábito –, ensopou os cabelos lisos e finos com um fixador e foi encontrar os amigos em Copacabana. Um deles não resistiu ao seu fracasso e quis censurá-lo pela volta imprudente.

Para surpresa de todos, em vez de reagir irritado, como era de seu feitio, baixando o tom da voz a cada palavra, Heleno acabou deixando todos emocionados: “Eu não podia morrer sem jogar no Maracanã”.

Aquele sábado foi para ele o primeiro e único dia no grande estádio. Virando-se para Renê Mendonça, seu conterrâneo de São João Nepomuceno e que com ele jogara no Botafogo na década de 40, quase em lágrimas, Heleno prometeu: “Eu juro, Renê, que nunca mais ponho os pés no Maracanã”.

Heleno faleceu em 8 de novembro de 1959 – há exatos 58 anos -, aos 39 anos, em um hospício da cidade mineira de Barbacena, onde foi internado seis anos antes, em 1953.