
Créditos da imagem: Montagem / No Ângulo
Futebol se alimenta de gols, no gramado. Quanto mais, melhor. E de rivalidade sadia fora dele. Quanto maior, melhor. Essas duas verdades se mostram mais nítidas quando entre os “litigantes” há equilíbrio.
Seria um desastre para o esporte se, por exemplo, Internacional ou Grêmio desaparecessem do mapa. Ou mesmo um deles se tornasse tão mais fraco que o outro, a ponto de “sumir” a rivalidade que de fato os sustentam. É como o veneno nas cobras.
Vale para os times gaúchos e vale para todos em todos os estados e países. Real e Barcelona precisam ser sempre fortes na rivalidade para serem nos gramados. Ponte Preta e Guarani. Botafogo e Comercial. Flamengo-Vasco-Fluminense-Botafogo, no Rio. E assim vai…
No futebol paulista, como se canta na marchinha de Carnaval – “zum-zum, zum-zum, zum-zum tá faltando um”. No quinteto tradicional, está faltando a Portuguesa. Primeiro time de tantos, segundo time de todos. Um erro que precisa ser corrigido.
Não falo do erro – que muitos dizem ser criminoso -, cometido por pessoas, na certa mais de uma, no caso do jogador Héverton, de forma safada (quero crer) escalado, quando não podia, em uma partida pelo Brasileiro de 2013, que levou a Lusa a perder quatro pontos. O bastante para derrubá-la da 12ª colocação para a 17ª. E, como consequência, para a Série B. Depois para a C. Agora na D.
Não quero tratar da condenação dos culpados, um caso de polícia, que dizem ter sido bem apurado, chegando-se, até, à grana depositada no Uruguai – esse Uruguai que – quem diria? – foi muito além da liberação dos cigarrinhos e dos charutões fabricados com a erva dos sonhos – para se tornar um paraíso fiscal, lavador de dinheiro, depositário de diamantes.
Quero dizer é que, se não acham uma boa encanar os envolvidos, “para evitar males maiores”, que pelo menos ajudem a recuperar a parte mais fraca, inocente, desse embrulho todo, o clube, a sociedade, o time. Salvar como, brincando ou não, graças à boa rivalidade, corintianos e palmeirenses dizem que há muitos anos salvaram o São Paulo fazendo o “jogo da barrica”.
Como o governo brasileiro fez com o Botafogo, tomando General Severiano para quitar dívidas e depois o devolvendo como presente. Como o governo espanhol de Franco fez com o Real. E, de alguma forma, como estão fazendo com a Chapecoense. Não quero que o governo se envolva nessa tarefa. Não quero que perdoem suas dívidas, como de resto de nenhum outro. Não é por aí.
Acho que a tarefa de devolver à Lusa, três vezes Fita Azul, duas vezes campeã do Rio-São Paulo, a oportunidade de voltar a ser um timaço como foi nos tempos de Muca, Djalma Santos, Nena, Brandãozinho, Ceci, Julinho, Renato, Pinga, Simão, Eneas, Leivinha, Dener – épocas diferentes – é da Federação, da CBF, dos clubes.
Da CBF, que fingiu que a escalação do Héverton foi só um erro administrativo do clube. Da Federação. Do São Paulo, que vendeu para ela o Canindé. Do Santos, que não pode esquecer a divisão do título em 1973, ajudado pela anulação de um gol legítimo de Cabinho. Não haveria o erro de Armando Marques na contagem dos pênaltis. Do Palmeiras, que levou Leivinha na maciota. Do Corinthians, que “roubou” dela Ditão, Nair, Zé Maria, além da chance daquele título de 1998, graças ao árbitro argentino Javier Castrilli…
Um passo nesse sentido está sendo dado por Emerson Leão, tão contestado, criticado, fazendo consultoria sem receber. Por uma nova e jovem diretoria sem recursos próprios, mas cheia de disposição. É muito pouco, ainda. Que os culpados tomem uma atitude, ainda que seja pelo remorso.