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No Ângulo | Futebol é preciso

Grêmio precisará de um “Raí versão 2017”, que pode ser Luan. Ou então…

14/12/2017

Créditos da imagem: FIFA,
Chuteira FC,
REUTERS/Agustin Marcarian

São Paulo x Barcelona, 1992: Craque de personalidade, Raí confirmou em entrevista recente que o “chapéu” aplicado em Guardiola foi planejado. Ideia era transmitir a mensagem de que “sim, era possível vencer” aos seus companheiros. Deu certo! 

Talvez a primeira preocupação do Grêmio para o confronto contra o Real Madrid, pela final do Mundial Interclubes, seja não repetir o Santos de 2011 (que fez feio em terras japonesas diante de um poderosíssimo rival).

Quem não se lembra do impiedoso 4 x 0 que o Barcelona de Xavi, Iniesta e Messi aplicou no Peixe de Ganso, Neymar e Borges naquela oportunidade (um “gosto amargo” que o próprio Real Madrid e tantos outros gigantes europeus também sentiram naquela temporada, contra aquele que talvez tenha sido o melhor time da história do futebol)?

No entanto, ainda que diante de um adversário bastante superior, a derrota santista não precisava ter sido como foi. Veja, em que pese a infeliz escolha de Muricy Ramalho – o treinador errou feio ao apostar em um 3-5-2 até então jamais testado e escalar Bruno Rodrigo (!) em vez de Elano ou Alan Kardec na finalíssima -, tenho para mim que os próprios jogadores (muitos com passagem pela Seleção Brasileira) poderiam ter demonstrado mais personalidade dentro de campo. Houve muita reverência e pouco futebol por parte do Santos. Talvez pela juventude dos seus “astros-maiores”? Pode ser… Ou talvez a disparidade entre as equipes fosse mesmo tão grande que apenas o Rei Pelé pudesse dar um jeito naquela partida!!!

Santos 0 x 4 Barcelona

Data: 18/12/2011

Santos: Rafael; Edu Dracena, Bruno Rodrigo e Durval; Danilo (Elano), Henrique, Arouca, Paulo Henrique Ganso (Ibson) e Léo; Neymar e Borges (Alan Kardec). Técnico: Muricy Ramalho

Barcelona: Valdés; Daniel Alves, Puyol (Fontas), Piqué (Mascherano) e Abidal; Busquets, Thiago Alcântara (Pedro), Xavi, Iniesta e Fábregas; Messi. Técnico: Guardiola

Gols: Messi, aos 16, Xavi, aos 23, Fábregas, aos 45 minutos do primeiro tempo; Messi, aos 37 minutos do segundo tempo.

Bom, se faltou personalidade para o Santos de Ganso e Neymar, o mesmo não se pode dizer do São Paulo de Raí. Em 1992, o craque são-paulino liderou o Tricolor Paulista na conquista do Mundial contra o… Barcelona, à época de Stoichkov e Laudrup.

São Paulo 2 x 1 Barcelona

Data: 13/12/1992

São Paulo: Zetti; Vitor, Adilson, Ronaldão e Ronaldo Luis; Toninho Cerezo (Dinho), Pintado e Raí; Cafu, Palhinha e Muller. Técnico: Telê Santana

Barcelona: Zubizarreta; Ferrer, Koeman, Guardiola e Euzébio; Bakero (Goicoechéa), Amor, Witschge e Beguiristiain (Nadal); Stoichkov e Laudrup. Técnico: Johann Cruyff

Gols: Stoichkov aos 11min do primeiro tempo e Raí aos 27min do primeiro e aos 34 minutos do segundo tempo.

Às vésperas do confronto, Raí, consciente da representatividade e ascendência que exercia sobre os demais jogadores, bolou um plano: ele, de cara, arriscaria alguma jogada de efeito – que acabou sendo um chapéu – sobre algum jogador do Barcelona para elevar o moral de seus companheiros e assim transmitir a mensagem de que “sim, era possível vencer”.

De maneira que, com um simples drible abusado, o meia exerceu a tal da *liderança transformacional, que é “um estilo de liderança em que o líder colabora com os liderados para identificar a mudança necessária, criando uma visão para orientar a mudança através da inspiração para o bem da organização, causando um efeito excepcional diante de seus liderados e se preocupando com o desenvolvimento mudando a maneira de pensar, buscando sempre a melhoria”.

Veja, esse papo sobre liderança nem é a minha área, mas o chapéu planejado e executado pelo “jogador-referência” do time encheu de confiança os seus companheiros, ao mesmo tempo em que desconcertou os (até então) inatingíveis adversários.

Uma curiosidade: quis o destino que a vítima a ser “chapelada” por Raí fosse Guardiola, o (apenas) correto jogador que se transformaria no maior técnico de futebol do planeta da atualidade. Coisas do “mundo da bola”…

Mais: a história depois se encarregou de mostrar que muitos dos brasileiros em campo eram superiores aos “extraterrestres europeus”.

Sim, o São Paulo era um timaço e Telê Santana um verdadeiro “Mestre”!

Mas o que o Grêmio tem a ver com isso tudo?

Ora, o Tricolor Gaúcho tem Luan, candidato a “Raí versão 2017”, por que não?

Okay, vá lá que a missão do craque gremista seja bastante complicada: vamos combinar que o atual time do Grêmio não é sequer comparável àquele do São Paulo de Raí.

Nesse sentido, ter Renato Gaúcho no banco é fundamental. O cara é “chapa quente” e confiança ele tem para dar e vender.

Grêmio x Real Madrid (escalações utilizadas nas semifinais)

Data: 16/12/2017

Grêmio: Marcelo Grohe; Edílson, Geromel, Kanemann, Bruno Cortez; Jaílson, Michel, Ramiro, Luan, Fernandinho; Lucas Barrios. Técnico: Renato Gaúcho

Real Madrid: Navas; Hakimi, Varane, Nacho e Marcelo; Casemiro, Kovacic, Modric e Isco; Cristiano Ronaldo e Benzema. Técnico: Zidane

Então a dica que eu pretensiosamente daria aos gaúchos é: tenham personalidade, não inventem táticas mirabolantes, e joguem o futebol que vocês sabem. Luan, peça a bola, arrisque, jogue a sua vida e tente ser o craque do jogo. A derrota vocês já têm! Ninguém vai se importar se vocês perderem para essa “Seleção do Mundo” travestida de Real Madrid. Ninguém! Joguem com dignidade e respeitem a tradição do Grêmio, o clube mais copeiro do Brasil!

Surpreendam o mundo! 

Por fim, se não der para ser Raí, que tal repetir Adriano Gabirú?

Internacional 1 x 0 Barcelona

Data: 17/12/2006

Barcelona: Victor Valdés; Gianluca Zambrotta (Juliano Belletti), Carlos Puyol, Rafa Márquez, Giovanni Van Bronckhorst; Thiago Motta (Xavi), Deco, Andrés Iniesta, Ludovic Giuly; Ronaldinho Gaúcho e Eidur Gudjohnsen (Ezquerro). Técnico: Frank Rijkaard

Internacional: Clemer; Ceará, Indio, Fabiano Eller, Rubens Cardoso; Edinho, Wellington Monteiro, Fernandão (Adriano Gabirú), Alex (Fabian Vargas); Alexandre Pato (Luiz Adriano), Iarley. Técnico: Abel Braga

Gol: Adriano Gabirú, aos 37min do segundo tempo

E segue o jogo.

 

* Robbins, Stephen P: Comportamento Organizacional, pag 319, Ed 9, São Paulo: Prentice Hall, 2002

 

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