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No Ângulo | Futebol é preciso

Geração “abençoada”?

09/02/2016

Vi, em janeiro, um levantamento, em uma TV por assinatura, mostrando que Messi (28 anos) e Cristiano Ronaldo (30) estão prestes a chegar à marca, os dois somados, de 1.000 gols.

Pelé completou seu milésimo, sozinho, em novembro de 1969, aos 29 anos. Terminou a carreira com 1.159.

Até aí, tudo bem. Messi e Cristiano são dois ídolos atuais e não é preciso fazer sempre comparações.

O problema foi um jovem comentarista dizer que a atual geração é “abençoada” por poder ver Messi e Cristiano Ronaldo juntos em ação. Aí não dá! Quer dizer que os jovens de hoje são mais sortudos do que os que viram Pelé-Garrincha-Di Stéfano-Puskas (58-62)? Pelé, Beckenbauer-Gerd Muller-Bobby Charlton-Bobby Moore (66-70)? Johan Cruijff-Beckenbauer-Rivelino (74)? Ruud Gullit-VanBasten-Rijkaard-Maradona-Boniek-Platini-Careca (anos 80-90 no Italiano)? Zico-Sócrates-Falcão-Maradona-Rummenigge-Ardilles-Sccirea (Copa de 82)? Romário, Ronaldo Fenômeno, Ronaldo Gaúcho, George Best, Tostão, Boniek, Fritz Walter, Pedro Rocha e outros tantos talentos que passaram pela Terra?

Messi e Cristiano Ronaldo são grandes craques, mas não podem ser considerados isoladamente o ponto alto do futebol. Mesmo porque antes havia mais talento na média. A distância entre os grandes craques e os grandes jogadores não era tão espaçada. E havia mais grandes jogadores. Quando eu era criança, os camisa 10 dos times de São Paulo eram monstros: Rivelino, Pelé, Gerson, Pedro Rocha, Lorico, Ademir da Guia, Dicá, Bazzani e por aí vai.

A análise desse jovem e inexperiente comentarista se compara a alguém que disser que viu Schumacher e foi abençoado, ignorando que antes ocorreram pegas entre Senna, Mansell, Piquet, Prost, Emerson, Stewart, Lauda, Hunt, Reutemann, Jim Clark…