Pular para o conteúdo
No Ângulo | Futebol é preciso

Faz tempo que criticam os estaduais. Mas nunca vi uma proposta de mudança que seja plausível

17/02/2018

Créditos da imagem: Diário Online

Uma das sentenças mais furadas que já vi, falando de personagens envolvidas no futebol, foi a dada no julgamento de uma propaganda feita pelo Gérson, Canhotinha de Ouro, quando atuava nos gramados. Fumante inveterado, Gérson foi contratado para falar das qualidades de um cigarro e terminava dizendo “gosto de levar vantagem em tudo”. Referia-se ao preço mais baixo e ao tamanho, maior do que os normais, do cigarro em questão. Bastou para que os gênios inventassem a Lei Gérson, com o sentido de oportunista, malandro, de quem passa a perna no outro.

Nada mais estúpido. Quem não preferir comprar algo melhor, ou pelo menos maior, e mais barato, só pode ser tolo, estar lavando dinheiro ou o ganha de forma muito fácil, que pode, até, dar para desconfiar. Que mal há em comprar o melhor por preço menor? Onde está a malandragem no mau sentido?

Vale, da mesma forma, para quem, no esporte como na vida dos negócios, investe alto para fazer o melhor, sabendo que assim venderá mais, terá a preferência dos clientes. Se o produto é bom, não se paga caro mesmo quando se paga mais. Custo-benefício.

Falando espedificamente do futebol, e deste momento, trabalha bem a Federação que incentiva e dá condições para que seus filiados montem bons elencos, tenham bons times. Bons times, bons jogos, públicos maiores nos estádios, melhor índice de audiência nas transmissões pela televisão e rádio, mais anunciantes pagando preços cada vez mais justos. Uma roda que gira firme, mesmo quando enfrenta críticas viciadas, de quem acha fácil derrubar, mas não sabe ou não tem mesmo como ajudar e construir.

Faz tempo que criticam os campeonatos estaduais. E desde sempre nunca vi uma proposta de mudança que seja plausível. Que leve em conta a extensão territorial do Brasil, o desnível econômico entre suas diversas regiões, a necessidade que os clubes têm de vender seus melhores jogadores e, por isso, de formar outros etc. Acabem com os estaduais e preencham o tempo em que o circo precisa ficar em atividade com o quê? Outros torneios? Já criaram os regionais, ligas…e nada. Esticar o Brasileiro? Jogar só aos domingos? De onde viria o dinheiro?

O que atrai mais o torcedor, no estádio ou no sofá – que mais interessa aos anunciantes (já pensou nisso?) – a rivalidade entre os times nos estaduais ou mais jogos contra times que pouco representam no coração dos torcedores? Parece fácil ter a resposta. Desde que não esqueçam que se trata do doente com remédios e não praticando eutanásia. Busca-se a cura e não decreta-se a morte.

Os estaduais do Rio e de São Paulo estão dando um bom exemplo do que estou falando. No Rio, seu grande palco fica fechado, porque querem cobrar os olhos da cara por seu aluguel, tentando compensar os milhões roubados na sua lamentável reconstrução. Os jogos que deviam ser realizados numa cidade com 9 milhões de habitantes, são levados para uma de 600 mil. E, quando usando o mínimo do bom senso, tentam fazer semifinais no segundo estádio maior – falo do Engenhão – a direção do clube – quebrado – que o administra, nega alugá-lo, porque um jogador do adversário fingiu chorar após vitória no jogo entre eles. Caso de internação.

Em São Paulo, ao contrário do Rio, os clubes procuraram se reforçar. Venderam os que precisaram, mas estão contratando. Colocam em campo o que têm de melhor e seus torcedores têm comparecido. Com ressalva aos do São Paulo, que no Brasileiro do ano passado carregaram o time mambembe nas costas para não cair, mas decidiram cobrar a fatura nesse estadual.

Tudo parecia ir bem, até ressurgir na direção do Corinthians, como funcionário, assalariado, alguém disposto a aparecer, como fez em outras oportunidades. Desavisado de que empregado trabalha e não dá palpites, fez críticas ao estádio do Palmeiras, sabendo, porque não é um iletrado, que a torcida palmeirense pode reagir, buscando novos e mortais confrontos com a do time que o paga. Palpite mais que infeliz.

Leia também:

Sobre os Campeonatos Estaduais

Sou mais os estaduais, com suas tradicionais rivalidades