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No Ângulo | Futebol é preciso

Falta de luz escancara necessidade de concessão do Pacaembu e demagogia de jornalistas militantes

06/03/2018

Créditos da imagem: Felipe Rau/Estadão

E no clássico Santos x Corinthians do último domingo, mais uma vez o Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho -o Pacaembu- ficou sem luz, dessa vez por assustadores 50 minutos até que os refletores fossem religados.

Não demorou para que os sempre inconvenientes jornalistas esportivos metidos a justiceiros sociais e “evangelizadores políticos” voltassem a cumprir o costumeiro papel de partidarizar qualquer questão. Como o prefeito da cidade é alguém a quem invariavelmente irão se opor -afinal, não está em nenhum partido que usa vermelho- já passaram a responsabilizar diretamente a figura dele por um estádio que há anos se tornou absolutamente deficitário, subutilizado, defasado e que está em vias de ser concedido à iniciativa privada (com publicação do edital de concessão prevista para 24 de abril).

Sim, concedido, porque quem fala em “privatização” está sendo simplesmente desonesto intelectualmente, como já tratei anteriormente no texto “Vamos falar como adultos sobre a concessão do Pacaembu“. Exatamente como feito no Maracanã (que foi desastrosamente concedido, mas continua sendo uma propriedade estadual) ou Mineirão (também estadual, concedido por 25 anos).

Em matéria do UOL, de 27 de abril de 2015 -portanto durante a gestão de Fernando Haddad e muito antes de que se pudesse imaginar quem seria o futuro prefeito da capital paulista- com o título “Novas arenas e ‘abandono’ do Corinthians dão triste aniversário ao Pacaembu”, o repórter Diego Salgado revelou:

No começo deste ano, a prefeitura admitiu que há dificuldade do modelo atual. ‘O Pacaembu encontra-se atualmente subutilizado e sem condições técnicas de servir à população da forma como originalmente foi desenhado’, ressaltou em um trecho do comunicado oficial destinado às empresas interessadas no espaço. Essa é uma das saídas da prefeitura: a concessão do complexo à iniciativa privada. A ideia é modernizar todo o complexo, nos padrões das ‘novas arenas multiusos’, com direito à cobertura parcial ou total. O processo, inclusive, já está em andamento.

Ou seja, felizmente, a gestão anterior também já tinha se decidido por conceder o estádio à iniciativa privada, como é feito em qualquer lugar razoável do mundo, seja o San Siro em Milão ou o Estádio Olímpico de Berlim -construído por Hitler e desde 2000 administrado por uma empresa privada. Essa divisão de papeis deve ser uma visão de Estado e não de governos que já não dão conta sequer de cuidar de Segurança Pública, Saúde e Ensino.

O Estado não tem a competência de administrar estádios, e não é à toa que o Pacaembu está nessa situação. O que não é nenhuma surpresa quando se constata, por exemplo, que o Estado brasileiro possui o monopólio das correspondências pessoais e, mesmo assim, os Correios vêm somando R$ 2 bilhões de prejuízos anuais enquanto a população sofre com os maus serviços prestados.

Para ilustrar a diferença de eficiência, no ano passado Palmeiras e Santos iam se enfrentar sob forte chuva no Allianz Parque -gerido pela WTorre- quando houve uma queda de luz na região. Foram necessários somente seis minutos para que os refletores do exemplar estádio palmeirense estivessem funcionando novamente.

O pior é ver que esses jornalistas -que irresponsavelmente cobram investimentos públicos em um estádio que em 2015 recebeu apenas 13 partidas e que em breve será concedido a alguém que fará investimentos que não sairão dos abusivos impostos pagos por todos nós- são os mesmos que criticavam a construção dos “elefantes brancos da Copa”. Seguem provocando desinformação com a vergonhosa insistência por “privatização” em vez de “concessão”, desconsideram que só a manutenção anual do Pacaembu custa cerca de R$ 10 milhões por ano à sociedade paulistana e, não satisfeitos, ainda querem novos aportes estatais em tempos de déficit generalizado das contas públicas.

Enfim, ou é inconsequência de quem professa que dinheiro público dá em árvore e pode ser simplesmente impresso, ou coisa de quem coloca interesses partidários à frente da boa informação e ainda posa de paladino da justiça.