
Créditos da imagem: Ale Cabral/AE
Começo de temporada no Brasil acaba não servindo de praticamente nenhum indicativo de como será o restante. Até por isso, este texto nada tem a ver com a goleada aplicada pelo Santos na estreia do Campeonato Paulista contra a Linense, por 6 x 2. Mesmo porque, se for falar do jogo em si (que a bem da verdade foi uma pelada), acho que o Peixe demonstrou falhas no sistema defensivo que precisam ser corrigidas para uma equipe que tem grandes objetivos no ano. Mas nada preocupante para a primeira partida da temporada.
Nos últimos tempos Palmeiras e Santos vêm protagonizando a maior rivalidade do futebol paulista, e em 2017 tudo aponta para que o domínio estadual das duas equipes só cresça. Enquanto fizeram belo papel em 2016 e ainda se reforçaram para este ano, corintianos e são-paulinos parecem acomodados em um segundo escalão.
As maiores ameaças de outros estados, Flamengo, Atlético Mineiro e Grêmio, têm todos um porém: ou têm muitos reforços e um técnico ainda em afirmação (caso do rubro-negro), ou estão sob novo comando (Roger Machado no Galo), ou perderam peças importantes e não se reforçaram (como a saída de Walace no Grêmio). Tampouco são certezas.
O alviverde fez uma impressionante campanha no título brasileiro, manteve a base (Gabriel Jesus foi uma grande perda, mas a única) e ainda se reforçou com ótimos nomes. Por isso, vem sendo tratado pela imprensa como um Bicho Papão, o time a ser batido.
Só que essa análise não considera que a troca de técnico não é um detalhe. Este “Novo Palmeiras Grande” teve a sua base formada e incrementada a partir do começo de 2015 e, a despeito da conquista da Copa do Brasil no mesmo ano, só convenceu de verdade sob o comando de Cuca. Agora, mesmo com tantos reforços, tem Eduardo Baptista na maior oportunidade da carreira. Isso não pode ser tratado como algo sem grandes riscos, não é só colocar no piloto automático.
O elenco experiente e esse espírito de “maior do Brasil” – que tomou o Palmeiras no último ano e vem sendo muito salutar para o clube – diminuem os riscos. Mas se os resultados não aparecerem logo pelos lados do Allianz Parque a tendência é que a pressão cresça descontroladamente sobre o jovem treinador, o que tende a dificultar tudo.
Já o Santos neste ano me parece vindo com mais fome e noção de que vem obtendo resultados abaixo do que poderia. Se desde a volta do ótimo Dorival Junior vem sempre demonstrando ser um dos três melhores times do país, ainda está devendo um grande título (desculpem, mas estaduais não valem mais nada e normalmente fazem mal ao vencedor no restante do ano). Muito se esperava do Peixe em 2016, e ele se saiu melhor do que o rival alviverde no confronto direto, mas graças a derrotas para equipes rebaixadas como Figueirense, América Mineiro e Internacional (tanto no Brasileiro quanto na Copa do Brasil), passou o ano de mãos abanando.
O alvinegro praiano me parece o time que mais dá garantias para este ano. E vir menos badalado e com os pés mais no chão, mordido, à sombra do rival milionário e campeão brasileiro, só favorece.