
Créditos da imagem: Montagem / No Ângulo
É difícil para o palmeirense acreditar que não está sonhando. Falo em terceira pessoa, mas vez ou outra fico pensando quão inacreditável foi a transformação desde o pedido por “camarões” de Felipão – quando o nosso time era formado mesmo por um apanhado de cabeças de bagre – para o atual momento em que atravessamos toda e qualquer negociação dos rivais, demonstrando a cada janela que somos o rei da cocada verde.
Não que haja algo (até onde já sabemos) de errado nisso. No início desta década e no final da última, o palmeirense se acostumou a ostentar diversos micos. Martinuccio, Conca, R10, Thiago Neves, Marcelo Moreno dizendo que era grande demais para o Palmeiras… Vexames não faltaram, nem rebaixamentos. Mas Paulo Nobre, Crefisa e (quem diria!) o bem-sucedido estádio, viraram totalmente a sorte do clube alviverde.
Se querem saber, eu não compraria Scarpa. É sim ótimo jogador, mas para mim, após a vinda de Lucas Lima e a permanência de Guerra, fora outras malsucedidas contratações para o setor de meio-campo (onde andam Hyoran e Raphael Veiga mesmo?) eu não o contrataria. Me desculpem aqueles que elogiaram a contratação (o menino é bom mesmo), mas isso está longe de ser planejamento.
Após um longo “inverno” sem o futebol brasileiro, retorno a escrever neste espaço com a seguinte questão: até quando o Sr. Alexandre Mattos terá carta-branca para fazer o que bem entender no Verdão? Repito, isso não é planejamento. Não dá mais para o Palmeiras continuar na base da tentativa e erro. Mattos tem de ser cobrado. O Grêmio campeão da América não foi o que mais contratou ano passado, mas sim o mais fiel a uma ideia de futebol.
E trago um pensamento, embebido no meu pessimismo de torcedor escaldado: na bagunça administrativa que é o futebol brasileiro, essa bonança palmeirense é sustentável? Lembram do “efeito Orloff”? Aquele da propaganda citada por Eduardo Cunha na votação do Impeachment: “Eu sou você amanhã”. O Palmeiras poderia ter dito isso ao Fluminense, quando o clube era o grande bicho-papão do mercado nacional. Não sei se o Alviverde está imune…