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Especulações e frustrações: por que ninguém quer vir jogar no Brasil?

Créditos da imagem: Futebol Interior

Drogba não vestirá a camisa do Corinthians. Depois de mais de três semanas de negociação, o marfinense preferiu seguir “outros planos da carreira” e recusou ser a estrela do futebol brasileiro por, pelo menos, uma temporada.

O Corinthians topou dar a Drogba tudo o que ele pediu. Carro blindado, tradutor para auxiliá-lo no dia a dia, casa alugada, salário gordo – semelhante ao que ele ganhava nos Estados Unidos -, além de um pacote de fomento para a Fundação Drogba. Era, sem dúvida, a melhor e mais vantajosa proposta que o atacante recebeu em mãos desde que anunciou sua saída dos EUA em busca de um novo clube.

Mas por que mesmo com todos esses atrativos e praticamente no final da carreira, Didier não veio?

Primeiro porque o futebol brasileiro está totalmente marginalizado no futebol mundial. Sem a mesma grana de outros cantos do mundo, como a China, os Emirados Árabes, o Japão ou o próprio Estados Unidos, o país não consegue criar grande estímulo para que estrelas mundiais venham desfilar seu futebol por aqui. Na atual situação econômica que vivem não apenas o país, mas também os clubes, até o mesmo salários de jogadores em vias de aposentação representam grande esforço no caixa de times brasileiros, inviabilizando o negócio. Contratar Drogba exigiu do Corinthians grande engenharia financeira, a ponto de entrar em ação inclusive o marketing do clube, acionado apenas em contratações de pompa, como no caso de Ronaldo Fenômeno, em 2009, e Alexandre Pato, em 2013.

Além disso, sabemos bem como o futebol brasileiro é mal gerido e isso ecoa nos grandes centros europeus. Escândalos de corrupção naturalmente afastam grandes jogadores. Ninguém, em sã consciência, escolheria para trabalhar um local com fama maculada. Seedorf, um dos casos raros que veio para cá – e muito por ter uma esposa brasileira e o sonho de viver e jogar no Brasil – acostumado com clubes realmente profissionais, sofreu com a má administração do Botafogo, assim como Ronaldo entrou em um Corinthians sem CT e completamente amador se comparado aos grandes clubes do mundo.

O Brasil também sofre com problemas “naturais”, como a questão do fuso horário. Uma final de Copa do Brasil daqui – que tem se acostumado a ser jogão – é transmitida em território europeu entre a 1h e as 3h da manhã, podendo ficar ainda mais de madrugada quanto mais caminharmos rumo ao leste da Europa. Em contrapartida, um jogo transmitido em uma final de Copa em qualquer país da Europa é transmitido aqui em plena tarde, quando temos apenas filmes de sessões da tarde ou programas de fofoca pra assistir. É um prato cheio para a audiência.

E tudo isso sem falar nas mazelas da sociedade brasileira e nos escândalos de nosso governo, que precisariam de muito mais que um artigo esportivo para discutirmos sobre. A pedida de um carro blindado por Drogba ultrapassa as barreiras do futebol e nos faz pensar ainda mais sobre em que situação se encontra a nossa própria sociedade.

Sem expectativa de melhoras, a tendência será cada vez mais esta: nossas estrelas indo ainda novas para lá, enquanto nem mesmo jogadores à beira da aposentadoria querem vir ganhar uma boa grana por aqui. Uma pena para quem tem cinco títulos mundiais e acabou de conquistar sua primeira medalha de ouro em Olimpíadas.

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