
Créditos da imagem: Montagem. Originais: Getty Images e World Soccer Talk
A Champions League é linda. Plástica, organizada, metódica e rica. Tem hino, bandeira, diretrizes, enfim, tudo funciona. Não precisa ser nenhum gênio para saber que, no geral, os europeus sabem organizar qualquer coisa que se prestem a fazer. E a Champions é um exemplo vivo disso. Os melhores jogadores, nos melhores estádios, tudo para fazer o torcedor feliz. E faz. Mundo afora, o torneio é venerado como o melhor do mundo. Porque é.
Talvez mais até que a Copa do Mundo, a principal competição de clubes do planeta é uma orquestra executando uma ópera, que encanta qualquer um que a acompanhe. Como a música clássica, não precisa ser requintado para gostar: basta sentar e ver. É instantâneo se apaixonar, mesmo sem estar acostumado com aquilo.
A Libertadores é gostosa. Carnal, atraente, encantadora e modesta. Se tivesse hino, não teria som para executá-lo. Se tem regras, passam quase despercebidas. Se tem bandeira, deve faltar mastro. Porque ela não precisa de nada disso para ser a segunda maior competição de clubes do planeta. Ela não precisa ser bonita para chamar a atenção. Ela é o indecente que tantos olhos atraem.
A Libertadores tem essência de futebol. Ela transpira futebol a cada passe, chute ou pontapé dado por algum sul-americano. Como uma banda de rock, às vezes faltam um ou dois elementos primordiais para o bom funcionamento. Mas quem se interessa? Os que ali estão, vendo, ouvindo e acompanhando, sabem que a Libertadores carece de quase tudo, começando pelo profissionalismo. Como os velhos astros do rock and roll.
Na Champions, a gente se apaixona pelo que vê. Na Libertadores, a paixão vem pelo que a gente sente. Não há europeu que entenda a Libertadores. Não há sul-americano que organize uma Champions. Mas há europeus que torcem como verdeiros sul-americanos e existem sul-americanos que se comportam como genuínos europeus.
Porque não há uma regra na Europa, apesar da clara tendência estereotipada. Não há um padrão na América do Sul, ainda que vejamos incontestáveis clichês.
A Libertadores não vai ser a Champions porque não é na Europa. E isso, para nós que nos apaixonamos com o que vemos na competição europeia, é péssimo.
Mas a Champions também nunca vai ser a Libertadores. Talvez os europeus nem liguem para isso. Só que eles não sabem o que estão perdendo.
Lá, a linha tênue entre a chatice e a organização. Entre o belo e o afetado. Entre o rico e o soberbo.
Aqui, o frágil limite entre o festivo e a falta de educação. Entre a paixão e a violência. Entre o pobre e o simples.
A Champions é chata, mas é ótima. A Libertadores é ótima, mas é uma merda.