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No Ângulo | Futebol é preciso

Enfim, os convocados – análise individual

14/05/2018

Créditos da imagem: Veja

Goleiros

Alisson – o ex-colorado se firmou como titular da Roma, que chegou as semifinais da Liga dos Campeões, e é bancado por Taffarel. Isso não afasta certas preocupações com algumas partidas questionáveis, como a da derrota contra o Barcelona – falhou num lance não convertido e rebateu mal no terceiro gol. Mostra uma técnica estranha em certos lances.

Ederson – ascensão meteórica para já ser titular do bilionário Manchester City, com a confiança de Pep Guardiola. Não é tão alto mas compensa isso com arrojo, além de ser bom com os pés. Mas a juventude não raro o coloca em lances aloprados.

Cássio – entrou para a lista por ter a confiança de Tite desde a primeira passagem pelo Corinthians. Seu ponto forte é a altura. Tecnicamente, está abaixo de Vanderlei, cuja ausência em todas as convocações deve se dar por alguma objeção de Taffarel.

Laterais

Fagner – o que parecia ser mais um lateral peso-pena se tornou, com Tite, um dos mais competitivos da posição. Sabe compor a linha defensiva melhor até que o lesionado Daniel Alves. Ofensivamente, não se sai mal em times bem montados. Porém, o rótulo de violento está longe de ser injusto. Se repetir seus carrinhos na Copa, tende a ser expulso.

Marcelo – em determinados momentos o madrilista é tão ou mais protagonista que Cristiano Ronaldo. Um dos poucos laterais que não dependem da ultrapassagem para chegar ao fundo, além da capacidade de romper defesas pelo meio-campo. A defesa não é seu ponto forte, mas evoluiu a ponto de ao menos não ser uma avenida – contando também com a proteção tática merecida dos treinadores.

Danilo – teve chances de tomar conta da posição com um ciclo promissor, mas logo despencou no Real Madrid. Pelo City, foi reserva do criticado Walker e mais atuou como coringa que propriamente na função de origem. Hoje está mais para um polivalente com dificuldades em todas as posições. Sinceramente, não sei o que Guardiola viu nele. Nem Tite.

Filipe Luís – melhor marcador que Marcelo, mas com disposição ofensiva ortodoxa. Faz relativamente poucas jogadas de linha de fundo. Seus melhores lances ofensivos são chegando de surpresa para finalizar ou jogar para o meio da área.

Zagueiros

Marquinhos – nem sempre titular da zaga no PSG (foi lateral até a chegada de Daniel Alves), conquistou a titularidade na seleção com suas atuações seguras e também por causa da desconfiança que afastou Thiago Silva de várias convocações. Seguro pelo alto, com boa velocidade e poucas falhas. Dificilmente irá para o banco.

Miranda – preterido no auge, o mestre do combate individual não é mais o zagueiro à prova de falhas dos seus tempos de SPFC e Atlético de Madrid. Porém, é quem possui mais intimidade com o lado esquerdo. Seu ponto fraco, nos dias de hoje, é a saída de bola.

Thiago Silva – a meu ver, uma temeridade. O choro fetal em 2014 e alguma atuações desastrosas em jogos decisivos (pelo PSG e pela seleção) só não barraram sua convocação porque seguiu firme como titular na França e por ter um tremendo lobby na imprensa. Em tese, tem todos os fundamentos. Até a tremedeira tomar conta.

Geromel – obscuro em grande parte da carreira, chamou a atenção no Grêmio com atuações sólidas numa equipe que, ao contrário de outras no Brasil, consegue jogar quase todo o tempo com a equipe no campo adversário. Tampouco faz feio quando os gaúchos têm que se fechar, como mostrou contra o Real Madrid. Fica mais difícil entender por que, ao contrário de colegas limitados, não se firmou na Europa.

Volantes

Casemiro – o antes desleixado volante são-paulino ralou ardorosamente nos últimos quatro anos e se tornou postulante ao status de melhor do mundo em sua posição. Forte na marcação entre as linhas, aprimorou o passe e, seguindo conselho de Cristiano Ronaldo, passou a bater bem de fora da área.

Fernandinho – para muitos, o pior em campo nos 7 x 1 contra a Alemanha. De volta ao City, seguiu titular como volante e subiu o nível com Guardiola. Porém, sua marcação entre as linhas está longe de ser como a de Casemiro. Também não convence atuando em outras funções mais adiantadas, plano que Tite parece ter para a armação pela esquerda. Deveria se limitar à reserva de Casemiro.

Meio-campistas

Paulinho – renasceu das cinzas como meio-campista pela direita, em especial chegando ao ataque no espaço aberto pelo centroavante. Foi neste mesmo papel que conquistou torcida e imprensa de Barcelona em seus primeiros meses ao lado de Messi & CIA. Porém, assim como antes da Copa passada, seu rendimento despencou e foi para a reserva – embora muito desavisado da imprensa brasileira não tenha percebido isso. Resta saber se é apenas incompatibilidade tática ou está em má fase técnica – como em 2014.

Renato Augusto – mais que a questão de jogar na China, o que o desgasta é a função que tem que cumprir na seleção. No futebol de hoje, em princípio o atacante que atua aberto tem que acompanhar o lateral adversário, formando uma linha de marcação pelo lado. Quando se trata de um atacante fora-de-série, como Neymar, o técnico coloca um meio-campista para fazer este papel defensivo. Como não é uma função típica do meio-campo, acaba tirando o armador da maioria dos lances de ataque. O desgaste aumenta porque os avanços de Marcelo também requerem cobertura. Daí o fato de Tite cogitar dois volantes.

Fred – seu futebol de condução de bola na vertical, passes longos e porte avantajado sugere que será o reserva de Paulinho. Não comentarei mais porque o vi muito pouco e mesmo Tite o convoca mais na base teórica que observação prática, já que jogou por raros minutos.

Atacantes e meias-atacantes abertos

Philippe Coutinho – foi cedo para a Europa e teve uma evolução lenta, porém constante, até finalmente explodir no Liverpool. Acostumado a atuar aberto pela esquerda, adaptou-se ao lado oposto na seleção e, recentemente, pelo Barcelona. No caso de eventual ausência de Neymar, é quem possui o repertório mais próximo de um protagonista. Há chances de, em determinadas circunstâncias, recuar como armador na “centro-esquerda”, no lugar de Renato Augusto – em especial contra times fechados. A ausência de Arthur reforça esta hipótese.

Neymar – estrela da companhia, teve ótimas temporadas pelo Barcelona e decidiu mudar de clube atrás do protagonismo máximo. Vinha apresentando repertório para também sair da ponta para o centro, como o amigo Messi. Porém, para a seleção é mais adequado que atue de forma similar à que fazia no Barça, por duas razões: 1 – Coutinho ou Willian já podem fechar pelo lado oposto; 2 – Marcelo também faz o mesmo movimento pela esquerda. Neymar chegará à Rússia com incertezas sobre seu físico e seu auto-controle. Sem contar o festival midiático que normalmente não faz bem a seu futebol.

Willian – teve sua melhor temporada pelo Chelsea, enfim titular absoluto. Na seleção, fez gols e deu passes importantes nas eliminatórias. Seu desempenho faz com que Tite o considere o décimo segundo titular. Normalmente atua aberto pela direita, mas neste ano mostrou que também consegue buscar jogo e arrancar pelo centro em contragolpe, como contra o Barcelona.

Douglas Costa – ao contrário os meias-atacantes Coutinho e Willian, é jogador de ataque propriamente dito. Consegue investir com dribles contra o defensor parado, tanto pela esquerda (como ponta) quanto pela direita (fechando para o arremate). Cravou a vaga com atuação razoável pela seleção e partidas muito convincentes pela Juventus.

Taison – acredito que sua convocação se deu por conta da insegurança quanto à recuperação plena de Neymar. Em CNTP, não deveria estar na lista, que ficou desequilibrada com sua presença. Além disso, tem atuado como meia-atacante centralizado em seu clube, no 4-2-3-1. Os jogadores abertos são Marlos e Bernard. Taison foi o que menos marcou gols entre os três, jogando numa posição que Tite sequer inclui em seu esquema. Difícil mesmo de entender.

Comando de ataque – “centroavância”

Gabriel Jesus – conquistou a camisa 9 em campo, mas preocupou durante boa parte da temporada com lesões e desempenho técnico fraco, perdendo a disputa com Aguero no City. Porém, a contusão do argentino abriu oportunidade que aproveitou bem na reta final da Premier League, inclusive com o belo gol que selou os inéditos 100 pontos de um campeão inglês.

Roberto Firmino – enquanto Jesus passava por uma via crucis em Manchester, a uma hora dali o centroavante do Liverpool se firmava com gols e passes no trio com Mané e a estrela Salah. Menos veloz que o concorrente, tem o toque mais preciso, inclusive quando sai para os lados. Não será por falta de um bom centroavante que a seleção deixará de vencer. É fato de que nenhum deles pode ser considerado opção para o “abafa”, mas seria bastante questionável levar alguém só para isso numa lista com 20 jogadores de linha.