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No Ângulo | Futebol é preciso

Em caso de derrota na Bolívia, a frigideira já está pronta no Morumbi

20/04/2016

Créditos da imagem: UOL

Não é novidade que a campanha do São Paulo no Campeonato Paulista foi fraca. Foram apenas 6 vitórias em 16 partidas disputadas, com nenhum triunfo fora de casa e desempenho ruim contra os demais grandes do estado (derrotas para Corinthians e Palmeiras e empate contra um desfigurado Santos).

Na Libertadores, depois de uma derrota na estreia para o The Strongest, no Pacaembu, o São Paulo reagiu, venceu o River Plate atuando no Morumbi (e como foi importante voltar a atuar em casa) e agora depende só de si para avançar na competição da qual é tricampeão.

Para tanto, joga pelo empate contra os bolivianos, algozes da primeira rodada. O problema? A temida altitude de quase 4 mil metros de La Paz, que pode equilibrar a partida e ameaçar a classificação dos comandados de Bauza.

Aliás, você consegue prever o que deve acontecer caso o São Paulo seja eliminado? Não está tão difícil de imaginar, não é mesmo?

Se no começo do ano os “eleitos” da torcida, os maiores alvos de protesto, eram, de maneira absurda, Paulo Henrique Ganso (a quem Calleri se referiu como “o melhor jogador do time e que pode atuar em qualquer clube do mundo”) e Michel Bastos (outro competente jogador, bem acima da média no nosso futebol), os “vilões da vez” parecem ser Denis, o goleiro que enfrenta sim uma certa dificuldade nas saídas de bola, mas que já demonstrou em outras oportunidades ter qualidade e bom temperamento para se firmar como o dono da meta são-paulina (tarefa que seria árdua para qualquer um, vez que a figura de Rogério Ceni é praticamente insubstituível) e, pasmem, Lugano, o ídolo que aceitou o desafio de tentar resgatar o brio dos são-paulinos, tão carentes do estilo vencedor que o zagueiro uruguaio empregou naquele time campeão de 2005, mas que pouco atuou no ano, vez que antes mesmo de sua chegada já havia sido decretado por boa parte da imprensa que ele já não servia mais, depois de algumas passagens frustradas pela Europa, tendo sido convenientemente desconsiderada a informação de que o seu último clube – o Cerro Porteño, do Paraguai – lutou, em vão, pela sua permanência.

Desse modo, com toda essa desconfiança e sem o respaldo de seus comandantes, por mais personalidade que Denis e Lugano tenham, fica deveras complicado para a “dupla perseguida da vez” demonstrar um bom futebol para uma torcida que compreensivelmente anda tão ressabiada com seu clube pelo fraco desempenho nos últimos anos.

O caso do zagueiro é ainda pior, pois ele acabou sendo preterido nos grandes jogos e ficou com as sobras, tendo que atuar em times mistos no entediante estadual, e dessa maneira nunca adquiriu um efetivo ritmo de jogo, algo tão importante especialmente para um jogador de 35 anos. Uma frustração que o xerife uruguaio definitivamente não merecia.

E a saída simples para a diretoria – e ela dá todos os sinais de que vai atuar nesse sentido – será culpar Michel Bastos (o “desagregador” que estaria a caminho do Santos, a pedido de Dorival Júnior), Denis (o “inexperiente goleiro”) e Lugano (o “ex-jogador em atividade”). Sem falar no técnico Bauza…

Em tempo: acredito que o São Paulo se classifica mesmo atuando na altitude e o processo de fritura (infelizmente) continuará oportunamente.

Uma pena para um clube que até outro dia era tido como um modelo administrativo (algo com o qual nunca concordei, mas isso é papo para outro dia) e hoje se mostra incapaz de blindar os seus empregados.

E segue o jogo.

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