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No Ângulo | Futebol é preciso

“Elitização” não está destruindo o futebol brasileiro

01/09/2017

Créditos da imagem: Divulgação / Site oficial do Palmeiras

Conforto. Eu gosto e você? Uma boa fonte de renda? Idem. Futebol? Uma paixão na minha vida

Todos esses questionamentos são para estimular o leitor a pensar se de fato a tal “elitização” – termo da moda empregado por muitos colegas de maneira quase dogmática – é tão “do mal” quanto pintam por aí.

Veja, o aumento exponencial do número de sócios e o consequente aumento do poderio financeiro dos nossos clubes são conquistas do futebol brasileiro e não há problema em reconhecer isso.

Na mesma linha, os estádios. Óbvio que ninguém aqui vai ficar defendendo utilização de dinheiro público de forma irresponsável e corrupta. No entanto, li algumas críticas questionando as novas “arenas” – como pejorativamente muitos se referem às novas construções – pelo que elas são, da estrutura em si que elas oferecem. E aí não dá, né?!

Vamos combinar que um estádio bonito, organizado, com banheiro digno (com direito a papel higiênico!!!), estacionamento, acessos para deficientes físicos, rotas de fuga em caso de incêndio, lanchonetes, respeito à marcação dos assentos e tudo que é evidentemente bom deve ser reconhecido e tratado como um paradigma, um modelo a ser seguido.

Aliás, mil vezes um ambiente que remeta a um bom teatro do que a um chiqueiro!

E certamente não estou sozinho nesse pensamento, já que a presença de mulheres e crianças nas novas “arenas” está cada vez mais comum. Sem falar na média de público, muito superior a dos demais estádios. É mais um indicativo, portanto. Sabe aquela máxima do saco de pão sobre “atender bem para atender sempre”? Pois é…

Se há problemas nos “novos tempos” – e há mesmo -, que apresentemos e coloquemos em debate eventuais soluções com perseverança e sem fatalismos. Apenas para ilustrar uma ideia, que tal se os organizadores dos campeonatos (as federações estaduais e, em nível nacional, a CBF) se propusessem a encontrar uma maneira de, junto dos clubes e da televisão, reservar, quando possível (respeitados os direitos do sócio torcedor e dos proprietários de cadeiras cativas, que devem sim ser tratados com prioridade), um percentual de ingressos para a camada financeiramente menos privilegiada da população com preços mais acessíveis? Pode não ser o ideal – e nunca será -, mas já seria um avanço.

Festa e organização não são coisas excludentes, pelo contrário. Ora, quem não gosta de um estádio com atmosfera de festa, bandeirões, papel picado, fogos, torcida rival etc? Especialmente nos jogos decisivos! Porém, ainda que com elas não se concorde, há limitações impostas pela polícia, pelo Ministério Público e até pela economia do Brasil, tão maltratada pela má gestão e corrupção dos nossos políticos. De maneira que ditos fatores não poderiam ser omitidos em qualquer texto que se disponha a tratar o assunto de maneira séria. A alegada “falta de festa” ser colocada capciosamente na conta do tal “torcedor Nutella” (odiosa expressão, infelizmente disseminada) é ação rasa e simplista.

Honestidade intelectual, uma análise não tendenciosa e a busca de alternativas deveriam se sobrepor às inúmeras bravatas que acabam virando verdade para muita gente de tanto que são fomentadas.

Quer mais?

Não dá para não tratar da globalização e do maior acesso às informações (via televisão, celular, internet etc), por exemplo, para tentar compreender o aumento da popularidade dos gigantes clubes europeus, que sim, infelizmente estão “roubando o coração” de vários torcedores do mundo todo (e não apenas os daqui).

Agremiações como Real Madrid, Barcelona e Bayern de Munique viraram potências jamais vistas na história do futebol (são hoje mais fortes do que a Seleção Brasileira de Alisson, Rodrigo Caio, Giuliano, Taison e Diego Souza) e, pelo menos até que os países da América do Sul se mexam e passem a agir de acordo com a representatividade e capacidade que possuem, chega até a ser um processo natural referida migração de torcedores, por mais frustrante que seja a constatação.

“Elitização” destruindo o futebol brasileiro?

Nada a ver!

Trata-se de como (não) encaramos a realidade e a nova ordem do futebol mundial.

Saudosismo sim, mas memória seletiva não!

E segue o jogo.