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No Ângulo | Futebol é preciso

E se Guerrero voltasse para o Corinthians?

28/01/2016

Créditos da imagem: UOL

Em outra oportunidade, escrevi que ser ídolo é um privilégio e uma responsabilidade no futebol.

Sou do tipo romântico – okay, podem me chamar de sonhador -, que gosta de ver os chamados “jogadores-símbolos” atuando por um único clube, representando apenas um escudo durante a carreira.

A não ser os “Neymares” da vida e outros desse calibre, que inevitavelmente acabam ganhando o mundo… Mas mesmo para alguém como Neymar o pensamento vale. Aqui no Brasil, ele só deveria poder jogar no Santos. E ponto final.

Tomando emprestado alguns trechos de textos anteriores de minha autoria, sob o ponto de vista de representatividade, sem qualquer comparação técnica, penso que Guerrero está para o Corinthians (ao lado de Rivelino, Marcelinho Carioca e outros) assim como Pelé, Neymar e Robinho estão para o Santos, Zico e Júnior para o Flamengo e Tostão e Sorín para o Cruzeiro. Na mesma linha, Raí, Rogério Ceni e Lugano para o São Paulo; Roberto Dinamite e Juninho Pernambucano para o Vasco; Ademir da Guia e Marcos para o Palmeiras; Garrincha e Túlio para o Botafogo; Reinaldo para o Atlético e por aí vai.

Os jogadores listados são apenas alguns de um seleto grupo que os torcedores reverenciam e guardam com carinho no seu imaginário. Trata-se, portanto, de um privilégio e uma responsabilidade, considerando-se que, embora totalmente profissionalizado, a razão de ser do futebol é e sempre será a paixão.

Gol histórico contra o Chelsea, em 2012
Gol histórico contra o Chelsea, em 2012

Afinal, o que seria do esporte sem as saudosas memórias de lances inesquecíveis – qual corintiano não enche o peito de orgulho ao lembrar e comentar o gol histórico do título do Mundial de 2012 do Corinthians contra o Chelsea anotado por Guerrero? – e o carinho e a gratidão pelos ídolos?

E paixão se constrói justamente com eles, os “jogadores-símbolos”, que com demonstrações de amor que teimam em resistir ao mercantilismo dos novos tempos, desafiam convenções e recolocam o romantismo no futebol.

Bom, tudo isso para expor que, ao menos para mim, Guerrero não é do Flamengo. E nunca será. É e sempre será do Corinthians, este que, a bem da verdade, aparentemente pouco fez pela sua permanência.

Tentando ser simples sem ser simplista: Guerrero foi mais “saído” do Corinthians do que saiu.

Explico: os problemas financeiros, a fortuna ainda pendente pelo novo estádio, a crise econômica do país, tudo isso e muito mais pode ser utilizado como argumento pela diretoria que comanda o clube, mas a verdade é que o Corinthians não quis Guerrero. E nem lutou por ele.

Responsabilidade financeira? Sem dúvida um bom argumento. Mas será que o peruano não teria potencial comercial para se pagar? Segundo consta, o autor do gol mais importante da história do clube receberia menos pelo novo contrato do que um atleta que acaba de ir para a Inglaterra recebia até “ontem” da equipe de Parque São Jorge. Pois é, Guerrero pagou o pato.

Fred, ídolo do Fluminense, viu o seu time se mobilizar pela sua permanência durante o Brasileirão do ano passado e assim foi. Contrato devidamente renovado. E sem a Unimed!

Ou seja, Guerrero não foi prestigiado. E a última conquista corintiana (já sem o peruano) em nada altera essa análise, pois se o Corinthians de Guerrero conquistou o mundo em 2012, por que não haveria de conquistar (mais uma vez) o Brasil?

Aproveitando o “rapa” da China no elenco de Tite e a má fase do jogador em terras cariocas, não seria uma boa para todos os envolvidos a volta de Guerrero para o Corinthians e, dessa maneira, reparar um erro histórico?

Você, torcedor, aprovaria? Ou prefere se colocar na posição de “fera ferida” e adotar aquele discurso chato e batido de que o “clube é maior do que qualquer jogador”?

E segue o jogo.