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No Ângulo | Futebol é preciso

Dos tempos em que o “mercado da bola” animava…

10/01/2017

Créditos da imagem: Montagem / No Ângulo

Um fato em janeiro de 2015 chamou a minha atenção para a tristeza atual do nosso futebol, e creio que continuará a martelar minha cabeça a cada recomeço de temporada do futebol brasileiro: eu estava no supermercado e ouvi um funcionário comentando – de maneira animada – com o outro: “Viu que o São Paulo contratou um atacante?”, ao que se seguiu o diálogo:

– Opa, ah é? Quem?

– É o… acho que Wellington Cafu, Washington Cafu, alguma coisa Cafu. Mas falam que o cara é bom! Jogava no interior…

– Ah…

Daí imediatamente lembrei de como era o mercado durante a minha adolescência, nos anos 1990. De quando eu, aflito, aguardava o Globo Esporte confirmando as novidades. Tirando um ou outro jogador que se destacasse muito e poderia ir para a Europa/Japão, os jogadores ficavam por aqui mesmo. Então ouvia-se sobre transferências entre clubes nacionais de um Edmundo, um Bebeto, aventava-se (e frequentemente executava-se) a repatriação de nomes como Romário (então melhor jogador do mundo), Marcelinho Carioca, Luizão etc.

De tempos em tempos surgia uma Parmalat, um Banco Excel ou ISL para agitar ainda mais as coisas. Havia coisas bizarras como a apresentação de Renato Gaúcho no São Paulo, em 1997, quando acabou nem assinando e nunca vindo a jogar pelo clube do Morumbi.

Sonhávamos com coisas como Maradona e Baggio no Santos, ou o português Paulo Futre na Portuguesa.

Não bastasse tudo isso, chegamos a ter até o “Disk-Marcelinho”, um 0900 de competição entre as torcidas dos grandes paulistas, feito pela Federação Paulista de Futebol – que tinha repatriado o “Pé de Anjo” – com a clara intenção de dá-lo de presente ao Corinthians.

A partir dos anos 2000, ainda tivemos espasmos disso, com a bizarra MSI e o “Corinthians galáxico”, o Santos de Marcelo Teixeira ou o Fluminense com a Unimed. Mas aí já era sempre algo bem localizado, com apenas um clube excepcionalmente tendo condições de fazer contratações do tipo.

Agora, já resignados por sermos a periferia da periferia do futebol mundial, temos que acompanhar quais jogadores nossos times perderão, quais refugos contratarão ou se poderá pintar algum ex-craque vindo do exterior buscando o último contrato antes da aposentadoria. Além, é claro, de torcer para que os “Jonathan Cafú” (sim, era esse o nome) sejam bons mesmo…