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No Ângulo | Futebol é preciso

Desvendando Gabriel Barbosa, o Gabigol

26/02/2018

Créditos da imagem: A Bola

Com quatro gols em quatro jogos desde o seu retorno ao Santos, Gabigol divide opinião – no Brasil, na Itália e em Portugal – e desafia os especialistas a decifrarem o real nível do seu futebol

Gabigol fracassou na Europa. Ponto.

No entanto, recuso-me a dar eco à ideia de que no Brasil “qualquer um” joga e reduzir a discussão a isso.

Até porque, com um pouco de boa vontade, sabemos que não é bem assim.

Ora, como não considerar que tanto pela Inter de Milão, da Itália, quanto pelo Benfica, de Portugal, o atacante santista teve pouquíssimos minutos em campo – total de 332, tempo inferior ao de 4 partidas completas somadas (!) –  para demonstrar do que era capaz?

Não dá para, dependendo da conveniência da situação, a gente considerar ou desconsiderar a importância que tem, por exemplo, uma sequência de jogos no desenvolvimento da carreira de um jogador. Em outras palavras, o mesmo raciocínio que vale para, digamos, Gustavo Scarpa no Palmeiras, deveria valer também para Gabigol na Europa.

Nessa linha que defendo, de que pouca coisa é definitiva no futebol, Rui Vitória, ex-técnico de Gabigol no Benfica, ao tomar ciência do bem-sucedido retorno de Gabigol ao Santos, ponderadamente declarou:

“O Gabriel é um jogador de qualidade e tem facilidade em fazer gols quando aparece na cara do goleiro. Mas há contextos e momentos na vida de um jogador, na vida dos clubes, contextos até sociais que podem não ser os mais adequados. Eventualmente, noutro momento poderia ter tido outro rendimento. Agora no Santos está num contexto muito favorável. Às vezes há jogadores que eu digo que devem estar noutro contexto, noutro clube, noutro país, com outro treinador, outros torcedores. Vejo isso com naturalidade. Fui dos primeiros a achar que faria bem em regressar ao Brasil, porque está num clube onde foi feliz e onde pode encontrar novamente essa felicidade. Nós tínhamos 30 jogadores e estávamos num momento que se calhar não era o mais propício para um jogador mostrar a sua qualidade. Agora já podia ser diferente, para o ano já pode ser diferente… Não há receitas para isso”.

É bem por aí!

Há muitas nuances na carreira de um jogador, que passam tanto pelas questões futebolísticas em si, mas também por outras, que muitas vezes ultrapassam o âmbito esportivo.

Para quem não sabe, Gabigol chegou a um Benfica desarrumado e em princípio de crise depois das vendas de Ederson, Nélson Semedo e Lindelof, em meados de 2017. Mais: àquela altura, Jonas e Seferovic eram titulares absolutos do time. Além da dupla, havia também a sombra do reserva imediato Jiménez, a contratação mais cara da história do clube português. E como desgraça pouca é bobagem, a fim de contratar o brasileiro, o Benfica vendeu Mitroglou, ídolo e goleador do time, com 88 jogos e 52 gols, para o Olympique de Marselha.

Ufa! Será que estava fácil para o Gabigol brilhar em Portugal? Não, né?!

E assim o mimado Menino da Vila mais uma vez se via pressionado e pouco prestigiado em terras europeias. Provavelmente algo “inimaginável” para ele.

Como, o GABIGOL sendo tratado como um mané? O “NOVO RAIO”? O “SUBSTITUTO DO NEYMAR”?

Bom, mas calma que também há o outro lado.

Gabigol dá motivo para que o questionemos e o terceiro cartão amarelo que ele praticamente implorou para levar – e levou! – na partida do último domingo contra o Santo André (em que estava pendurado às vésperas do clássico contra o Corinthians) é emblemático.

Como ele é pitizento!

E foi justamente depois de um piti que ele deu ao ser substituído em uma partida da Inter que a sua vida na Itália começou a ficar com os dias contados.

Afinal, de um astro milionário o mínimo que se espera é profissionalismo!

E Gabigol custou “apenas” 30 milhões de euros à Internazionale (que depois o cederia ao Benfica e, agora em 2018, ao Santos).

Em sua estreia, Gabigol jogou alguns minutos no empate contra o Bologna e foi afoito, achando que chegaria na Europa sendo “o” cara da Inter, querendo resolver as jogadas sozinho, como um lunático.

A verdade é que ele teve um choque de realidade e não soube lidar com isso.

Aquele menino badalado de sempre, o “substituto de Neymar”, o “novo raio”, não existia mais.

Aliás, ele não existe.

Gabigol não é um fora-de-série.

Mas pode sim ser um ótimo jogador.

Em qualquer lugar do mundo.

E segue o jogo.