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No Ângulo | Futebol é preciso

Defesa é ponto-chave para atual Palmeiras repetir times campeões de Muricy

03/06/2016

Créditos da imagem: Mauro Horita/Lancepress

A emocionante vitória contra o Grêmio, por 4 x 3, no Pacaembu, foi mais uma partida que reforçou as duas faces deste Palmeiras.

Uma é a de competitividade e força para bater duros rivais, da maneira que for, que é muito positiva e costuma ser pré-requisito para equipes realmente bem-sucedidas. Na base da vontade, da confiança e da bola aérea, o alviverde conseguiu marcar quatro gols em um adversário que ainda não havia sofrido gols em seus outros quatro jogos pelo Brasileirão.

Mas a outra face é a de, uma vez mais, não conseguir se impor pela produtividade natural de seu jogo. São raríssimas as partidas em que o Palmeiras se mostra capaz de, com a posse de bola, de pé em pé, com transições e triangulações, ser o senhor da disputa.

Como exemplo, puxando pela memória, não me lembro de gols bonitos marcados pelo Palmeiras no estilo “linha de passe”, como o próprio Grêmio e o arquirrival Corinthians vira e mexe anotam. Os golaços palmeirenses costumam ser em jogadas individuais de Gabriel Jesus ou nas famosas coberturas do já negociado Robinho (hoje no Cruzeiro).

Daí me veio a lembrança dos times comandados pelo antigo Muricy Ramalho. Não o “pós-atropelo contra o Barcelona”, que se tornou uma pálida lembrança daquele que, entre 2005 e 2011 enfileirou uma série de troféus – especialmente nos pontos corridos – que o fizeram ser o maior treinador brasileiro do período.

Tirando um pequeno período de 2015, já no finalzinho da passagem de Oswaldo de Oliveira pelo clube, a tônica deste Palmeiras da “Era Alexandre Mattos” é a de elenco farto – porém sem jogadores de grande destaque – mau futebol, ataque agudo e objetivo, bons resultados em clássicos e muitos gols pró (por sinal, já é o melhor ataque do Brasileirão).

Mas, à diferença das equipes do “ex-melhor técnico do Brasil” (recentemente afastado do futebol para cuidar da saúde), que também não trabalhavam a bola nem agradavam aos olhos – tanto que foi cunhado o termo “Muricybol” – o Verdão sofre muitos gols (foi a quarta pior do último Campeonato Brasileiro e é a oitava pior da atual edição).

Talvez, conseguir criar um consistente sistema defensivo seja mais determinante do que praticar um bom futebol para que este Palmeiras possa mudar de patamar. Estão aí todos os troféus de Muricy e sua saudosa fábrica de Fabões, Mirandas, Rodrigos, Alexes Silvas, Andrés Dias, Brenos e companhia para provar.