
Créditos da imagem: O Estado de São Paulo
Marcelo Oliveira, mesmo campeão da Copa do Brasil, não conseguiu fazer o mínimo que dele se esperava e foi mal no Palmeiras. Ponto.
Mas seria muito simplista creditar ao agora ex-técnico do Verdão o insucesso do clube desde que começou a ser o mais ambicioso (ao menos em termos de contratação de jogadores) do país.
Ora, e o papel do midiático Alexandre Mattos nisso tudo? Segundo consta, o diretor de futebol do Palmeiras é o maior responsável pelo planejamento do plantel do clube. E convenhamos, ele errou além do aceitável nesse quesito. Com a dinheirama investida, o grupo de atletas poderia e deveria ser muito mais qualificado do que o atual.
Aliás, exatamente por todo esse investimento, entendo que a avaliação do Palmeiras deve ser mais rigorosa se comparada a de outros times “normais”.
Isto posto, analisemos o elenco alviverde: a defesa, salvo Fernando Prass, não tem UM jogador de primeiro nível. Zé Roberto, embora seja um dos atletas mais profissionais da história do esporte, exemplo de conduta dentro e fora de campo, um “rei” na Alemanha, onde atuou em boa parte da carreira, com passagem pelo Real Madrid, único jogador brasileiro eleito para a seleção da FIFA na Copa de 2006, é apenas um rascunho do que já foi um dia. Com boa vontade é, no máximo, um jogador “correto” na atualidade.
No meio de campo, mais um drama. Embora com alguns bons jogadores, com boas passagens por outros clubes brasileiros, não há um “dono do time”, da estirpe de um Lucas Lima (para mencionar um que atue por aqui) ou de um Everton Ribeiro (da “era Mattos”, no Cruzeiro). E essa falta de um maestro, de um camisa 10 pensante, é evidente não é de hoje.
No ataque, o mesmo drama. Quem é “o cara” do ataque do Palmeiras? As decepções são tantas, que até o voluntarioso Cristaldo conseguiu (de maneira justa) cavar uma vaga na equipe titular.
E o craque do time? O menino Gabriel Jesus, que sequer é titular absoluto? O talentoso, porém “inacabado”, cheio de deficiências técnicas, Dudu?
É claro que se considerarmos um elenco de atletas de uns 30 jogadores, o do Palmeiras se destaca positivamente no Brasil. Ele é numeroso e, dentro dos padrões atuais, possui qualidade. Só que, no futebol, ter um grupo homogêneo não costuma ser algo a ser celebrado, pelo contrário (percebam que até os elencos de um Bayern, um Barcelona ou um Real Madrid têm “os caras que decidem”, há uma discrepância de nível entre os jogadores).
O time do Palmeiras não tem protagonistas. As equipes titular e reserva são parecidas, não há uma hierarquia, faltam grandes jogadores, aqueles com quem a torcida sabe que pode contar. Como foram Ademir da Guia, Evair, Edmundo e tantos outros.
Só para citar alguns exemplos, penso que se o Palmeiras pudesse contar com três dos atletas que listarei abaixo, o time poderia ser outro: Everton Ribeiro, Lucas Lima, Conca, Nenê, Robinho (o verdadeiro), Ricardo Goulart, Montillo, Diego Souza, Diego Tardelli, Fred, Guerrero, Ricardo Oliveira, Gil, Geromel, Jemerson etc.
E dinheiro, a julgar pelos altos salários de Barrios, Arouca, Jean, Edu Dracena, Alecsandro, Rafael Marques, Egídio e outros, é razoável supor que não seria problema.
De maneira que, caso venha a ser realmente confirmado como o novo técnico do Palmeiras, Cuca poderá sim fazer um bom trabalho, mas não milagres. É a velha história do limão e da limonada.
E o problema sempre continuará a ser o treinador…
E segue o jogo.