
Créditos da imagem: Montagem / No Ângulo
Todos os anos, nas últimas quase três décadas, ouvimos a mesma ladainha: ninguém dá mais bola para os campeonatos estaduais. Realmente, os torneios, que moviam as paixões dos torcedores até o final dos anos 80, perderam muito de seu glamour. Antigamente, houve episódios em que os times brasileiros costumavam escalar reservas na Libertadores, ou até mesmo abriam mão do Brasileiro (como em 1979), para dar prioridade ao Paulistão, Carioca, Mineiro etc.
A falta de um calendário que transformasse os estaduais em torneios classificatórios para algo maior, que premiassem as boas colocações, faz com que a Libertadores, o Brasileiro e até a Copa do Brasil tenham muito mais importância. Mas, mesmo assim, quando chegam à fase decisiva, os regionais lotam estádios e movimentam a rivalidade entre os grandes. Perder a chance de ir à decisão sempre dá dores de cabeça aos técnicos, casos hoje de Eduardo Baptista, Dorival Júnior e Rogério Ceni. Em menor ou maior grau, os três sofrem com os fracassos de seus times no Paulistão.
Mesmo as finais recentes envolvendo times não tão grandes e tradicionais, como Ituano e Audax, chamaram a atenção. Mas, especialmente neste ano, o Paulistão trará um confronto que provoca muito interesse, histórias e discussões. Por um capricho do destino, Corinthians e Ponte se enfrentam no ano do 40º aniversário da decisão de 1977, uma das mais marcantes da história do torneio.
Serão duas semanas em que muito se falará de Rui Rei, Dulcídio Vanderlei Boschília, Vicente Matheus, Basílio, Dicá, Vladimir, Zé Maria etc. Uma ótima oportunidade de revivermos uma página histórica e polêmica, voltando aos tempos em que o Paulistão era considerado um campeonato de primeira grandeza.
Muito se falará sobre os fatos que cercaram o duelo. Emoções não faltaram. A vitória por um 1 a 0 do Corinthians no primeiro jogo, com o gol de “cara” marcado por Palhinha. Os 2 a 1 da Ponte na segunda partida, com gols de Rui Rei e Dicá, contra um do corintiano Vaguinho. E, finalmente, o suado 1 a 0, feito por Basílio “Pé de Anjo” no final do segundo tempo, depois de tentativas de Wladimir e Vaguinho. E, principalmente, a expulsão de Rui Rei por reclamação aos 16min do primeiro tempo.
A Ponte tinha realmente um timaço. O goleiro Carlos e os zagueiros Oscar e Polozi foram chamados para a Copa do ano seguinte, em 1978 na Argentina. Dicá era craque, mesmo que à antiga, sem muito ânimo para a marcação. Vanderlei e Marco Aurélio compunham com ele um excelente meio de campo. À frente, Lúcio, Rui Rei e Tuta formavam um ataque de respeito, reforçado pelos competentes laterais Jair Picerni e Odirlei.
O Corinthians, de Tobias, Zé Maria, Moisés, Ademir e Wladimir; Ruço, Basílio e Luciano; Vaguinho, Geraldão e Romeu, tinha grandes jogadores, mas, como na recente era Tite, seu principal destaque era o técnico Oswaldo Brandão. Ainda mais depois que Palhinha, o craque do time, ficou de fora do jogo final.
Naquele ano, o Paulistão foi disputado em três fases. A primeira, chamada de Taça Cidade de São Paulo, foi vencida pelo Botafogo de Ribeirão Preto, que tinha Lorico, Zé Mário e Sócrates. A segunda fase, Taça Governador do Estado de São Paulo, ficou com o Corinthians. No terceiro turno, oito clubes foram divididos em dois grupos de quatro, que tiveram Ponte e Corinthians como vencedores e finalistas do Estadual. Na classificação final, o Corinthians foi o primeiro colocado, com 73 pontos e 30 vitórias, seguido pela Ponte (66 e 23).
O final de 2017 ainda não foi escrito. Mas certamente vai misturar história e presente, emoções passadas e futuras. Enfim, uma final que dá ao Paulistão o destaque que os estaduais não têm há muito tempo.