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No Ângulo | Futebol é preciso

Copa “Rio Sul Minas”: modelo é a chance dos estaduais sobreviverem

29/01/2016

Créditos da imagem: Zero Hora

O primeiro dia do torneio da Primeira Liga, que está sendo chamado de “Copa Rio Sul Minas”, foi bem legal. Com times tradicionais se enfrentando em jogos para valer, já em janeiro, o torcedor se animou e compareceu dentro da medida do possível. Resultado: uma média de público interessante, com destaque para o clássico Atlético Mineiro x Flamengo, com 30 mil no Mineirão e partidas não tão modorrentas como de costume essa época do ano, em amistosos na Disney ou contra equipe de empresários nos estaduais.

Dito isto, precisamos fazer uma ressalva e separar o joio do trigo, ou seja, a iniciativa do produto final.

A Primeira Liga é uma ideia que se fazia necessária há tempos, já que em qualquer lugar do mundo no qual acontecem bons campeonatos, quem os organizam são os times que participam. Estamos em 2016 e não deveríamos falar em CBF nem Federações como organizadores das competições. São elementos estranhos ao futebol, meramente burocráticos e administrativos, que deveriam se ater à seleção, às categorias de base e a fomentar o esporte nos estados.

Ou seja, a Primeira Liga, como foi o Clube dos 13 no passado, é uma nova tentativa dos verdadeiros donos do espetáculo colocarem alguma ordem no futebol brasileiro. Se os atuais cartolas terão essa competência? Pago para ver. Mas ainda assim, são eles que devem assumir essa responsabilidade.

A outra parte é o produto final. Esportivamente falando, não há motivos para Fluminense, Cruzeiro ou Inter se enfrentarem, afinal, já temos o longo Brasileirão de pontos corridos e a Copa do Brasil espalhada pelo ano em jogos mata-mata, o que significa que um terceiro torneio nacional não se justifica. Por ser novidade e pela insistência – digna de aplausos – da Primeira Liga em começar a Copa Rio Sul Minas à revelia da CBF e da FERJ, o campeonato tende a ir bem neste ano. Afinal, é uma forma de clubes e torcedores dizerem que estão insatisfeitos com o rumo do esporte. Foi a maneira possível para começar o rompimento com o status quo. Mas e depois? Geograficamente também não se aplica, afinal, são estados distantes e não dá nem para chamar o torneio de regional, como a Copa do Nordeste. Sem contar que Rio de Janeiro e Minas Gerais, e até o Rio Grande do Sul, podem ter bons campeonatos estaduais, já que contam com alguns clubes menores de tradição e camisa.

O problema é que as federações usam esses torneios como ferramentas de controle e manutenção de poder, inchando-os no intuito de encherem seus cofres, sem qualquer intenção de (re) erguer os menores ou manter a competitividade dos maiores. Com isso, aos olhos de muitos torcedores, tradição e a rivalidade interna são esquecidas e os estaduais não causam quaisquer sentimentos, a não ser desprezo. É comum que alguns fanáticos pelo futebol queiram simplesmente acabar com esses campeonatos, outrora tão gloriosos e que já foram os mais importantes torneios do país.

Mas não precisa ser assim. E aí que a “Copa Rio Sul Minas” pode servir de exemplo para os futuros estaduais, já, quem sabe, nas mãos dos clubes.

No Rio, por exemplo, dois grupos de seis times, com dois grandes em cada, e teríamos cinco jogos “preparatórios” para o restante da temporada na fase inicial, sendo um clássico. E depois as finais, que se fossem em dois jogos, fariam um calendário com no máximo nove jogos pré-Brasileirão. Enxuto, com partidas valendo posições, mantendo a tradição dos clássicos, a chance dos pequenos aparecerem e enfrentarem os grandes, e claro, testes para o restante da temporada. E o melhor, um título, uma taça, que é o que move o futebol.

É sonhar demais, já que as Federações relutarão em enxugar esse calendário e os clubes somente começaram a se organizar. Mas com o torneio da Primeira Liga, além do sonho de se fazer uma liga de clubes organizada, cresce também a esperança dos estaduais perceberem que, para sobreviverem, precisarão diminuir. Os clubes precisam saber disso, e caso, enfim, consigam o controle dos campeonatos que disputam, devem ter em mente que um estadual pode ser útil.

 

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