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No Ângulo | Futebol é preciso

Compre a camisa do “Barça” e ajude-o a contratar o ídolo do seu time de coração

07/03/2016

Créditos da imagem: Reuters

Vivo em São Paulo, uma das capitais mundiais do futebol, lar de alguns dos clubes mais vitoriosos e populares do planeta. Nos últimos dias, vi sete camisas de times (sem contar bermudas e acessórios): seis do Barcelona e uma do Corinthians.

Ok, o Barcelona vive uma das melhores fases já vividas por um clube na história, apresenta um estilo de jogo encantador, possui o melhor jogador do mundo na atualidade e, de lambuja, tem os maiores ídolos do futebol dos três países mais tradicionais da América do Sul no esporte: Brasil, Argentina e Uruguai.

Mas eu queria entender o que faz alguém comprar uma camisa de uma equipe qualquer do exterior, e sair ostentando orgulhosamente isso nas nossas ruas, para pessoas em um contexto a quem esse símbolo não diz nada.

Para que fique bem claro, sou totalmente contrário às patrulhas politicamente corretas que querem definir um “cidadão ideal” (aliás, acho que é um dos principais problemas da nossa sociedade no momento). Ou seja, cada um que faça o que quiser da sua vida. A pessoa tem todo o direito de usar a camisa do time que quiser.

Só acho que ela deve ter consciência que ao comprar produtos de um clube do exterior, está ajudando a deixá-lo ainda mais rico para vir comprar o ídolo do seu time. Está colaborando para que fique sendo cada vez mais visto como algo de outro nível em relação ao seu time de coração. E ele não é, ele apenas está.

Sei que neste momento de depressão econômica do país, com nossos clubes ainda mais pobres internacionalmente, com os Estaduais em curso, CBF em “rodízio de presidentes”, etc., fica difícil ter alguma esperança de ver nossos gigantes como rivais desses clubes estrangeiros. Mas eles podem sim voltar a ser. É só passarmos a trabalhar direito, que as coisas mudam. O Brasil continuará sendo um dos países mais populosos do mundo, bem como uma das maiores economias do planeta, e o futebol continuará sendo uma das nossas maiores paixões. Ou seja, continuaremos tendo potencial para mudar tudo.

O que não se pode é consolidar essa visão momentânea de que os clubes de lá são maiores que os daqui. Porque se acreditarmos mesmo nisso, será uma transformação cultural mais difícil de mudar do que qualquer situação econômica ou de organização do futebol.

Enquanto brasileiros ficam comprando camisas que não nos dizem nada, apenas por moda ou por status, já existem empresas tupiniquins que patrocinam clubes estrangeiros e não patrocinam as daqui. Ao curtir a fanpage de um clube internacional no Facebook, colabora-se para que ele seja ainda mais popular mundialmente do que seu time de coração. E sim, eles são rivais.

A propósito, o “Barça” (só essa forma de chamar o clube, largamente adotada no Brasil, deixa clara a simpatia com que ele é tratado) tem 21 derrotas, 14 empates e 20 vitórias contra clubes brasileiros. Contra o trio-de-ferro paulistano, são 8 derrotas, 1 empate e somente 3 vitórias. Mas preferimos nos comportar como simpatizantes de países periféricos no mundo da bola, e ajudarmos a fazer de qualquer Paris Saint-Germain da vida algo “acima” de nossos gigantes. Neste trabalho estamos sendo competentes, infelizmente.