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No Ângulo | Futebol é preciso

Como os times “morrem”

21/09/2016

Créditos da imagem: G1

A queda da Portuguesa para a Série D do Brasileiro é uma triste notícia há muito anunciada. Considerada décadas atrás um dos cinco grandes de São Paulo, a querida Lusinha foi definhando com o tempo. O tiro de misericórdia foi o golpe que manteve o Fluminense na Série A em 2013, em um nebuloso caso de escalação irregular de um obscuro jogador da Portuguesa.

Mas este final já era previsível. Há anos, a Lusa tem enfrentado uma descida sem fim da ladeira. Assim como outros times que fizeram história no Brasil.

Quando eu era bem jovenzinho, São Paulo tinha cinco grandes, incluindo a Portuguesa, e um monte de times médios que davam trabalho, como Guarani, Ponte Preta, Botafogo de Ribeirão Preto e outros que apareciam de forma bissexta. O Rio tinha o America e o Bangu, que perturbavam os grandes. Minas tinha seu América.

O tempo passou e foi matando essas equipes. No Rio, o Botafogo já não é mais o mesmo. E o Fluminense se mantém no ranking dos grandes graças a um recente patrocinador e ajudas importantes, como quando pulou da Série C para a A no advento da Taça Joao Havelange, em 2000.

Este texto não é uma tese, mas se arrisca a apontar alguns motivos.

O primeiro é a cada vez maior profissionalização do futebol, que encareceu a manutenção de equipes. As verbas de marketing e TV ditam as regras. Times de torcidas pequenas ficam cada vez mais longe da repartição do bolo.

Antigamente, o passe, a propriedade do jogador, dava aos clubes um poder ditatorial. Com a Lei Pelé, mudou-se da água para o vinho de um dia para o outro. As revelações praticamente nascem com empresários, que são sócios dos clubes com condições de impor suas regras. E eles preferem as vitrines mais observadas.

Os grandes times tinham os melhores jogadores. Era possível para os menores formar equipes competitivas com atletas médios. Hoje, os craques vão cedo para o exterior. Os grandes times ficam com os jogadores médios. E os pequenos, com o que sobra.

Junte-se a isso as péssimas administrações. Essa combinação reduz espaços e mata tradições. Hoje em dia, não há como sobreviver sem profissionalismo e uma grande torcida.

Acabou há tempos o romantismo. Só os fortes sobrevivem.