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No Ângulo | Futebol é preciso

Chapecoense e o Pé de Feijão

19/10/2015

Créditos da imagem: Montagem/No Ângulo

Era uma vez, no interior de Santa Catarina…

A cidade de Chapecó e região, sob forte influência do estado vizinho, sempre foi apaixonada por futebol. Sua população até hoje é basicamente dividida entre gremistas e colorados. O futebol local sempre foi uma inofensiva e carismática segunda paixão.

A Associação Chapecoense de Futebol nasceu em 1973 sem muitas pretensões. Já em 1977, com 4 anos de existência, surpreendeu a todos e conquistou seu primeiro título estadual. Em 1996 repetiu a dose, conquistando o segundo catarinense. A partir daí, seguiu no anonimato e, nos 10 anos seguintes, quase fechou as portas.

Campanhas ruins e problemas financeiros fizeram com que seus comandantes pensassem em encerrar as atividades. Até mudança de nome virou alternativa para fugir das dívidas e manter o clube de portas abertas. O objetivo da Chapecoense era apenas manter-se viva, e conseguiu. Com a ajuda de empresários da cidade, o time sobreviveu.

Como num conto de fadas, a sementinha plantada pelos investidores, aliada a uma administração séria, deu início a uma meteórica ascensão.

Em 2007 veio o tricampeonato estadual. Em 2009 a classificação para a série C. Em 2011 veio o tetra catarinense e em 2012 o inacreditável acesso à série B. Em 2013, a desconhecida Chapecoense deixou para trás os favoritos e chegou à série A.

O ano de 2014 começou com a sensação de dever cumprido e a certeza de que o time não conseguiria se manter entre os grandes. Mas aí já era tarde demais para pensar pequeno.

A Chapecoense se tornou modelo de gestão. Foi além, levou seu programa de sócio-torcedor a um dos 15 maiores do país (!), desbancando inclusive alguns clubes centenários, algo até então impensável para um clube pequeno e sem torcida. Começou a formar uma torcida própria, a ganhar uma identidade. Ganhou o coração de crianças. Passou a ser o primeiro time de muita gente, e não só em Chapecó. As cidades vizinhas se contagiaram, o futebol ganhou um novo significado para a população que, até então, só podia torcer pela TV.

Em meio à crise do futebol brasileiro e times atolados em dívidas a Chape se preocupou em não gastar mais do que ganhava. A receita simples deu certo, foi a galinha dos ovos de ouro do futebol catarinense. O time chegou longe. Contrariando mais uma vez a lógica, se manteve na série A, terminando o ano classificado para seu primeiro torneio internacional: a Copa Sul-americana. Mas o que parecia ser o final feliz para os deslumbrados torcedores chapecoenses ainda ganharia novos capítulos.

A Chapecoense passou como zebra pela Ponte Preta e chegou para enfrentar o Libertad como um mero coadjuvante. Fez história! A mesma Chape do incrível 5×0 contra o Internacional, do inimaginável 4×1 no Fluminense em pleno Maracanã e do 5×1 no poderoso Palmeiras, está nas quartas de final da Copa Sul-americana. Na próxima quarta-feira, às 22h, despertando a inveja de todas as torcidas brasileiras, vai enfrentar o gigante River Plate, em um dos templos do futebol mundial, o Monumental de Núñez. Embalada por uma virada histórica dentro da Arena do Grêmio no último domingo, a Chape chega como uma ilustre desconhecida para os argentinos.

Qualquer um duvidaria, 6 anos atrás, quando o time enfrentava 26 horas de ônibus para Alto do Araguaia-MT para jogar as quartas da série D – e para lutar com marimbondos no vestiário – , que um dia a Chapecoense pegaria um avião com destino internacional.

A Chape cresceu, cresceu, cresceu, até chegar lá no topo, além das nuvens, onde mora um gigante centenário, temido por seu tamanho e suas conquistas, pronto para devorar a pequena Chape…

Mas pra quem viu esse time crescer, não é nada difícil acreditar em conto de fadas!