Pular para o conteúdo
No Ângulo | Futebol é preciso

Campeonato Brasileiro com 20 clubes é bom?

21/12/2016

Créditos da imagem: Rádio Eldorado AM

Fico assustado ao ligar a televisão e ver jornalistas da minha idade (quase 50 anos) defendendo um Campeonato Brasileiro com 20 clubes e pontos corridos, mesmo com a falta de jogadores de expressão em quase todos os participantes, acompanhada por uma pífia média de público pagante.

Importante lembrar que temos um Campeonato Nacional nos moldes da Espanha, que tem uma área de 505.000 km² e uma população de 46 milhões de pessoas (e decrescendo) enquanto o Brasil tem área 17 vezes maior (8.500.000 km²) e uma população de 200 milhões de pessoas (em crescimento), ou seja, por matemática simples, um campeonato nacional com 20 clubes não é representativo do país e compromete a base do futebol brasileiro.

Uma questão inquietante é que estas transformações ganharam força com a chegada dos canais internacionais aqui no país, que pagam fortunas por campeonatos europeus (muitos deles inferiores em competitividade aos do Brasil) e nunca valorizam os nossos campeonatos disputados nos moldes que defendem. Por que será?

O argumento da falta de interesse do campeonato mata-mata não se sustenta. Em 1982 a média de público foi de 20 mil por jogo, com o país em uma grave crise financeira (pior que a atual) e agora, 2016, com times mais fortes (só os 20 principais) ficou em 15 mil. Como explicar? Expulsaram os piores e a média caiu? Seria lógico? Não, claro que não!

Talvez porque haja interesse em ver os nossos jogadores migrando para os times de fora, de onde tem os contratos de transmissão e ganham dos fornecedores esportivos em comerciais? Assim é comum vermos um garoto com a camisa do Barcelona, e não vemos mais nenhum guri com a camisa do Guarani, da Portuguesa ou do América, equipes sacrificadas neste modelo.

Aí vem a pergunta que me incomoda, usando a melhor seleção de futebol que vi: a de 1982. O Brasil era genial, e não estavam na Seleção que foi à Espanha, pelo menos: Leão, Zé Maria, Marinho, Mozer, Wladimir, Andrade, Adílio, Zenon, e Mário Sérgio; Reinaldo e Palhinha. E ainda teríamos um time reserva fantástico, que jogaria em qualquer seleção: João Leite; Nelinho, Luís Pereira, Mauro Galvão e Marinho Chagas; Dudu, Mendonça, Tita e Zé Sérgio; Jorge Mendonça e Careca. E o Campeonato Brasileiro teve 44 clubes. Coincidência? Creio que não.

Hoje não temos 44 jogadores para fazer quatro times assim, uma pena. Mas, fruto da redução da nossa base, minha sugestão seria um Campeonato Brasileiro com três Séries: A, B e C. Essas teriam 48 clubes em quatro grupos de 12, com 22 datas para turno e returno no grupo, classificando quatro por grupo e mais oito datas até a final nos mata-matas. Assim teriam 30 datas para o Brasileirão, em vez das atuais 38. Com as últimas oito datas (finais) no último mês, seria possível datas para uma Copa do Brasil e Estaduais bacanas, aumentando dos atuais 60 clubes nas séries A, B e C para mais que o dobro: 144 clubes.

Pensando em 30 jogadores com emprego por clube, ampliaríamos a nossa base de 1.800 jogadores para 4.320 jogadores, ou seja, mais empregos, maior base, melhor futebol, seleção mais forte!

Ou, ao menos, que os famosos canais internacionais valorizem o futebol brasileiro metade do que valorizam o futebol inglês!