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No Ângulo | Futebol é preciso

Cala a boca, Neymar!

31/07/2018

Créditos da imagem: Fox Sports

A sabedoria milenar ensina que “há o tempo de calar e há o tempo de falar”

Se Neymar e seu estafe tivessem refletido sobre essa frase, certamente teriam evitado o constrangimento do comercial divulgado esta semana, em que ele tenta dar a volta por cima depois do resultado frustrante da Copa da Rússia.

Um fracasso de comunicação. Pegou mal para ele, o patrocinador e o gênio que achou que teve uma “ideia brilhante” para reverter a opinião pública. Agora, deverão ser feitas novas ações para minimizar os prejuízos. Normalmente, as tentativas de correções de casos como esse costumam ser mais trágicas que a besteira-mãe. Se persistir no erro, há o risco de Neymar ter que trocar o ensinamento citado acima por outro mais cruel: “é melhor calar-se e deixar que as pessoas pensem que você é um idiota do que falar e acabar com a dúvida”.

Neymar não tem uma grave crise a resolver. Crise mesmo é o que vemos no noticiário, quando reputações são jogadas na lixeira por causa dos escândalos. Aí, dificilmente, os personagens conseguem se recuperar. E, quando conseguem, não voltam a ter a mesma “reputação” de outrora.

Neymar tem uma crise de resultados. Foi à Copa como destaque e se deu mal. É do jogo. O goleiro Barbosa, da Copa de 1950, tristemente jamais recuperou a imagem. Dunga, que personificou a tragédia de 1990, a “era Dunga”, levantou a taça como capitão em 94. Ronaldo, que sofreu a pouco explicada convulsão em 98, foi o herói de 2002.

O que Neymar precisa é voltar a campo e jogar muito, fazer golaços, dar assistência, impressionar. E, antes disso, calar a boca. Se eu fosse chamado para assessorar o maior craque brasileiro, diria: “Neymar, sua crise é de resultados. Foi mal na Copa. Faz parte. Messi, os alemães e os espanhóis também fracassaram. Quem deles está falando? Você viu o Tite dar entrevistas após a Copa? Aprende, cara! Você está dando para a imprensa e os críticos aquilo que os outros não dão: blábláblá e tititi. Suma, meu amigo. Reapareça apenas na pré-temporada. E calado. Só volte a falar quando tiver feito algo de bom.”

Do jeito que está é impossível. Ele aparece em festas, jogando pôquer, fazendo meme etc. Para quê? E, para piorar, seu pai atende jornalistas e solta grosserias. Assim, nem a Marquezine aguenta.

Quando se trata de grandes famosos como ele, a lógica é clara: uma parte da opinião pública o adora, outra o odeia e a imensa maioria vai de um lado para o outro de acordo com a percepção que tem da situação. Para esclarecer, antes da Copa, Neymar era apontado como o grande comandante, o salvador da seleção. Como estava muito bem, havia euforia com as atuações do time e, com o seu sacrifício para jogar a Copa, a maioria teve a percepção positiva do momento e “comprou” o otimismo dos admiradores. Após a decepção da derrota, essa maioria ficou totalmente sensível às críticas dos que não gostam de Neymar. E aí, meu caro, é pau no lombo mesmo.

Neymar voltará ao PSG para disputar o Campeonato Francês e a primeira fase da Champions League. Vá de mansinho, comece a jogar bem, seja parceiro de Mbappé, mas mostre que sabe mais. Faça a diferença. Certamente haverá uma escala de reações da opinião pública, tipo:

1) esse cara joga bem, porquê não fez isso na Copa?
2) O cara está jogando muito, pena que não fez isso na Copa.
3) O Neymar é bom.
4) Acho que ele aprendeu e vai dar a volta por cima em 2022.
5) Neymar é o cara.

Para conseguir essa volta por cima, tem que jogar bola. Memes podem ser engraçados, mas são de resultados duvidosos. Aparecer ostentando e brilhando em mesas de pôquer só atrapalha. Falar a toda hora sem ter o que dizer é suicídio de comunicação.

Vá jogar bola, Neymar. Você tem 26 anos e, pelo menos, mais duas Copas pela frente. Messi e CR7 terão mais uma, e olhe lá. Jogue bola e feche a boca. Ainda dá para se sair muito bem dessa, Neymar!