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No Ângulo | Futebol é preciso

Botafogo-RJ vai da superação à pequenez

13/02/2018

Créditos da imagem: UOL

Quando o técnico Ricardo Gomes deixou o Botafogo, em agosto de 2016, para assumir o São Paulo, em plena disputa do Brasileiro, o clube carioca viu-se diante de uma encruzilhada. Uma das maiores histórias de glória do futebol brasileiro, time que rivalizou com o Santos de Pelé, o Botafogo estava na zona do rebaixamento e sofria a humilhação de ver seu treinador largar o barco, deixando transparecer que não via grande futuro do alvinegro carioca.

A efetivação de Jair Ventura como técnico botafoguense foi um dos maiores acertos do futebol brasileiro nos últimos anos. O time saiu do rebaixamento e ganhou vaga na Libertadores, com o 5º lugar no Brasileiro. Jair tirou leite de pedra e fez jogadores comuns terem atuações surpreendentes até para eles mesmos. E o São Paulo, de Ricardo Gomes, amargou a 10ª colocação no torneio nacional.

O Botafogo continuou mantendo uma posição digna no futebol nacional, principalmente quando se leva em consideração sua carência de recursos. A saída de Jair Ventura neste ano era esperada. O treinador tem direito a buscar novos desafios e melhores estruturas.

A indicação do auxiliar Felipe Conceição foi mais uma aposta em uma estratégia que havia dado certo. Mas, neste ano, começaram as mudanças de postura da diretoria. O técnico passou por revezes fortes, mas naturais em um início de trabalho. Voltando às práticas comuns e nem sempre efetivas, o clube o tirou do cargo. É um direito, mesmo que discutível.

Mas o processo de apequenamento do Botafogo continuou com a reação ridícula de seus jogadores diante do “chororô” do flamenguista Vinícius Júnior ao fazer um gol contra o alvinegro na semifinal da Taça Guanabara. Usou um bordão criado há cerca de dez anos, quando técnico e jogadores botafoguenses choraram após derrota em decisão contra o Flamengo.

As provocações, desde que dentro dos limites da irreverência do futebol, são comuns. O então corintiano Viola imitou o porco em jogo contra o Palmeiras em 1993 e anos depois estava defendendo a camisa palmeirense. Lucas Lima provocou os palmeirenses, quando jogava pelo Santos, e hoje defende o alviverde. As brincadeiras são parte do futebol. Se uma tiração de sarro do adversário incomoda, dê o troco e crie sua própria gozação em cima do rival.

Mas o Botafogo preferiu apelar para a ignorância. Seus jogadores tentaram intimidar o jovem craque flamenguista. Feio. Coisa de mau perdedor.

Agora, decidiu proibir a realização da final da Taça Guanabara, entre Flamengo e Boavista, no estádio Nilton Santos, que está sob seus cuidados. E ainda soltou nota assumindo o mico. É triste ver um dos maiores de nossa história perder seu potencial futebolístico, sem conseguir montar equipes como as de seu passado glorioso. Mas pior é ver esse clube se apequenar, com atitudes mesquinhas que nada têm a ver com sua história de gigante do futebol mundial.