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No Ângulo | Futebol é preciso

Bem mais que futebol

11/07/2016

Créditos da imagem: Reuters / Kai Pfaffenbach

Existem discussões que são intermináveis mesmo quando chegamos à resposta correta. Outras simplesmente têm a resposta que queremos dar. O tempo talvez nos faça deixar de lado quem foi melhor: Pelé ou Maradona? Porém, creio que dificilmente minha geração escapará de cair de novo na polêmica: Messi ou Cristiano Ronaldo? Para mim, por exemplo, é bem fácil responder; Cristiano é uma máquina, perfeito, cirúrgico, um atleta por excelência, capaz de executar com maestria a arte de jogar futebol sem aparentar que exerce nesse ou naquele fundamento algo de sobrenatural. Mas repito, para mim é fácil, prefiro o argentino.

Messi tem menos de máquina e mais de gênio. Não importa quantas vezes o vejamos destruir um jogo, sempre nos surpreendemos com seus dribles curtos, suas cavadinhas antológicas, suas arrancadas inalcançáveis, seu elástico no Boateng… enfim, é um privilégio tê-lo visto no seu auge, o melhor de minha época. Mas não há tudo nesse gênio. Se há algo que alimenta a discussão Pelé x Maradona, esse algo é a idolatria de um povo, fanático na mesma proporção que apaixonado por futebol. Messi mais uma vez falhou na Copa América. Não que não tenha desejado mais que tudo a conquista. Não que não tenha jogado como o melhor do mundo e um dos grandes em todos os tempos. Falhou porque no futebol é assim, quando perde-se, falha-se. E por ironia do destino, do outro lado oceano, mais um Ronaldo aprende a ser grande.

O mais incrível é que nessa Eurocopa Cristiano foi menos máquina, bem menos. Não está no auge da sua forma, não há como depois da temporada que teve, com direito a lesões e a “La undécima”. Fez poucos gols, o que não o impediu de tornar-se o maior artilheiro de todos os tempos em Eurocopa. Mas foi decisivo, contra Gales, contra a Hungria, em um time vitorioso sem vencer até a semifinal. Foi gênio quando chamou João Moutinho para bater o pênalti contra a Polônia (o gajo estava receoso porque havia errado há 4 anos, contra Espanha) e chamou mais do que nunca a responsabilidade de liderar Portugal rumo à inédita conquista.

Cristiano Ronaldo talvez não seja, para a história e os números frios desse esporte estranho, melhor que Messi (nem para mim o é). Mas nessa Euro, mais do que nunca, ele é o maior para os portugueses, que o venerarão por muito e muito tempo. Cristiano fez o esporte maior ainda porque entendeu que futebol não é só ganhar ou perder, fazer ou perder, sorrir ou chorar, é parar guerras, unir povos. Para heróis, geniais como ele, jogar futebol é mais que futebol, é fazer história.