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Com 110 anos de história, Atlético de Madri x Real Madrid, o grande clássico da capital espanhola, dá início, nesta terça-feira, a mais um capítulo desse duelo que, nos últimos anos, rompeu as fronteiras da Espanha e ganhou o mundo.
Historicamente falando, as dez conquistas de Champions League do Real Madrid e os dois vice-campeonatos do Atlético não deixam dúvida quanto à disparidade do poderio de cada clube.
No entanto, no passado recente, subvertendo o padrão e a lógica, o Atlético tem conseguido se aproximar de seu rival e, por diversas vezes, até superá-lo. Vejamos.
Atual campeão espanhol, o time comandado por Diego Simeone saiu derrotado em apenas um dos oito últimos jogos entre as equipes. Detalhe que esse jogo é o maior da história do confronto, a final da Champions do ano passado, quando, em uma virada surreal (digna de roteiro de Luis Buñuel, com pitadas dramáticas de Almodóvar), com gol no final da partida e depois na prorrogação, o Real Madrid sagrou-se campeão depois de ver o Atlético com as mãos na taça por praticamente toda a partida.
Derrota que, apesar de um tanto doída, apenas engrandeceu a carreira do treinador argentino da equipe colchonera. Aliás, em apenas seis anos, Simeone saiu do título nacional com o Racing (ARG) para chegar à decisão do torneio de clubes mais importante da Europa no ano passado. O treinador desembarcou ao Atlético de Madri em 2011 e conquistou a Liga Europa na temporada seguinte, além da Copa do Rei (contra o próprio Real). Porém, foi em 2014 que Simeone fez história. Além do vice-campeonato na Champions, o Atlético foi campeão do Campeonato Espanhol após quase duas décadas (!) de espera.
E, agora em 2015, mesmo perdendo jogadores importantes como Diego Costa e Filipe Luis, continua conseguindo ser protagonista das competições que disputa, uma verdadeira proeza, algo que foge à razão, se considerada a polaridade estabelecida por Real Madrid e Barcelona por aquelas bandas.
Assim, o Atlético consegue restaurar os poderes da imaginação e tornar factível a quebra dessa hegemonia, o que, acredito, faz um bem danado ao futebol, tão mercantilizado nos dias atuais. Confesso minha simpatia pelo modelo adotado pelo Atlético, de criação de uma “identidade” e maneira de jogar, em detrimento daquele dos “mecenas da bola”, empregado em clubes como Chelsea, PSG, Zenit e tantos outros, os quais são formados “na marra”, com contratações milionárias, muitas vezes com dinheiro de origem das mais duvidosas.
E, justamente por esse “caráter”, pelo técnico que tem, pelo retrospecto recente, e pelo subjetivismo do futebol, que entendo que o Atlético tem boas chances de eliminar o seu “primo rico” nesta edição da Champions.
E segue o jogo.