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As virtudes de Levir Culpi no Santos

Créditos da imagem: A Tribuna

“Herdeiro” de um excelente trabalho realizado por Dorival Júnior (mas que já dava sinais de desgaste), Levir Culpi faz o simples e aprimora o trabalho de seu antecessor

As temporadas no Japão talvez tenham transformado Levir Culpi. Com uma “sabedoria oriental”, o treinador tem feito o simples no comando do Peixe e deu um tempero diferente à equipe.

Sou dos que defendiam a permanência de Dorival Júnior como técnico do Santos. Embora visse alguns defeitos no time (um tanto acomodado e engessado em 2017), entendia – e ainda entendo – que o trabalho do hoje comandante do São Paulo era excelente. Com o time montado por ele (“A César o que é de César”. Explico dando um exemplo: se foi ele quem pediu a contratação de Leandro Donizete, até agora um fracasso, também foi ele quem solicitou Bruno Henrique, aquela que insistentemente aponto como a melhor contratação do futebol brasileiro na temporada. Sem falar na consolidação de nomes como Gustavo Henrique, Zeca, Thiago Maia, Vitor Bueno etc), o Santos sempre esteve nas cabeças e gerando receita para o clube.

No entanto, o clichê de que no futebol não existe fórmula mágica mais uma vez se mostrou correto. Com Levir, o Santos melhorou. Ainda com as qualidades da época de Dorival (é um time com bom passe e organizado, com uma defesa bem postada) e aprimorado pelo observador Levir (mais incisivo e contundente no ataque), o “Peixe Doido” forma, ao lado do Grêmio, a minha dupla de favoritos para a conquista da Libertadores. Quem diria!

Entre os méritos de Levir, além da já mencionada simplicidade, destaco a sua inteligente postura (mal compreendida por alguns) de criticar “jogadores-chave” da equipe depois dos jogos, já que um defeito do antigo treinador era o de proteger em excesso o seu elenco, que acabou ficando um tanto mimado. Bruno Henrique e Lucas Lima (o primeiro depois de fazer três gols no jogo e o segundo depois de ter sido o melhor em campo) foram recentemente alvo do treinador e o grande futebol apresentado nos últimos jogos pela dupla demonstra que ambos estão lidando bem com isso.

As ações de perdoar Vecchio (um sujeito de forte personalidade e que pisou na bola com Dorival) e de estender as mãos para Thiago Ribeiro também fizeram com que o grupo passasse a correr pelo treinador. A gente sabe que no mundo da bola isso acontece mesmo.

Por fim, acredito ter sido inteligente a opção de Levir em não poupar os jogadores titulares no Brasileirão pensando na Libertadores, uma vez que aquele fatídico final de ano do Santos em 2015 (quando a vaga no torneio continental foi jogada no ralo) deve servir como exemplo para a atual temporada. Penso que foi ali que Dorival perdeu a confiança de parte da implacável torcida santista (se Dorival errou – e errou mesmo – em abdicar de alguns jogos daquele Brasileiro, não foi ele quem perdeu, na final da Copa do Brasil disputada contra o Palmeiras, um pênalti no jogo de ida – foi Gabigol – e o histórico “gol feito” no fim da mesma partida perdido por Nilson. Tampouco foi ele quem topou a remarcação da final para outra data, quando o seu time já não estava mais “voando”. Mas enfim…).

De qualquer forma, encerro estas linhas reconhecendo que a troca de treinador fez bem ao Santos, que vem ainda mais forte com Levir.

E segue o jogo.

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